O Palácio do Planalto está preocupado com a atuação do reverendo coreano Sun Myung Moon, que nos últimos sete anos comprou mais de 97 mil hectares de terras em pelo menos 24 cidades de Mato Grosso do Sul, principalmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. Os primeiros alertas da expansão do reverendo na região foram dados pelo Exército.

O assunto está mobilizando também a Assembléia Legislativa de Campo Grande, que instalou uma comissão especial para investigar a legalidade das atividades da Associação das Famílias para a Unificação e a Paz Mundial, entidade que representa o reverendo Moon no Brasil. A Polícia Federal e a Receita Federal também estão preocupadas com dados desencontrados sobre os negócios de Moon e o representante do Ministério Público Federal no Estado, procurador Blau Dalloul, avisou que está coletando informações, mas um raio X só será possível daqui a três meses.

O comandante do Exército, general Gleuber Vieira, declarou que ''segurança na fronteira é uma preocupação permanente da Força'', acrescentando que ''a manutenção de sua inviolabilidade é missão constitucional do Exército''. Sem querer se referir especificamente à atuação do reverendo, o general afirmou, ainda, que ''tudo que possa comprometer a segurança do País recebe atenção especial da Força, seja a presença de entidades estranhas e porções exageradas de terra sob o controle estrangeiro, seja conflito de qualquer natureza''.

O responsável pelas investigações na Assembléia de Campo Grande, deputado Jérson Domingos (PSL), quer saber o porquê do interesse por terras no Pantanal, dos lados brasileiro e paraguaio. Quer saber, também, qual a situação dos estrangeiros que vivem ali e estariam entrando pelo Paraguai para se casar com brasileiros e garantir permanência no País.

O presidente da Associação, Maurício Baldini, e o advogado, Neudir Simão, não atenderam a reportagem. Há duas semanas, Simão afirmou que há um processo de ''inquisição'' contra Moon, que teria planos de investir em agricultura, pecuária e turismo nas terras, adquiridas desde 1995. Moon teria investido R$ 64 milhões em Mato Grosso do Sul.

O Planalto já foi informado de que o reverendo vem comprando propriedades nas regiões de fronteira, onde emprega grande contingente de estrangeiros e aplica vultosos recursos. Dados disponíveis pela área de inteligência do governo abrangem detalhes sobre os tipos de projetos existentes na área, criação de gado, instalação de centros educacionais, doação de ambulâncias para angariar simpatia da população e realização de palestras com intuito de desmistificar a imagem do reverendo.

No Uruguai, Moon seria dono de um banco comercial e de jornais. No Paraguai, seria proprietário do Hotel Fuerte Olimpo, de várias fazendas, uma delas em Puerto Leda, com 80 mil hectares. Em Puerto Casado, seria dono da ''cidade inteira'', de 350 mil hectares. Apenas o Rio Paraguai separa Puerto Casado de Porto Murtinho, onde teria mais 25 mil hectares. ''Parece que quer juntar as duas áreas para ter livre acesso de um país ao outro'', opina o assessor parlamentar da Assembléia de Mato Grosso, Paulo Guilherme Cabral.

O comandante militar Oeste, general Sérgio Conforto, mostrou apreensão e advertiu ''que ninguém gasta dinheiro à toa e quem faz investimento quer retorno''. Isso não seria possível na região, por causa da baixa produtividade para agropecuária.

De acordo com dados disponíveis pelo governo, o principal empreendimento de Moon no Brasil é o projeto Nova Esperança - New Hope, na cidade Jardim. Os relatórios citam Corumbá, Amambai, Bela Vista, Nioaque, Dourados, Ponta Porã, Aquidauana e Aral Moreira como algumas cidades onde Moon possui terras e informa que o reverendo continua a adquirir propriedades na região oeste de Mato Grosso do Sul.

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