Revendedora pode ter aplicado golpe de R$ 1 mi
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os proprietários da revendedora de carros Emily Car, que possui três lojas em Curitiba, podem ter aplicado um golpe de R$ 1 milhão em cerca de 80 clientes. O caso começou a ser investigado depois que uma emissora de televisão mostrou que uma das clientes, uma juíza, chegou a dar voz de prisão a funcionários da empresa porque estaria sendo lesada numa negociação.
A explicação é da delegada Selma Braga, do 2º DP, responsável pelo inquérito aberto segunda-feira para apurar todos os casos envolvendo a Emily Car. Não foram divulgados os nomes da juíza e dos funcionários. Depois que a atitude da juíza foi levada a público, cerca de 50 clientes da empresa com diferentes problemas ''acamparam'' em frente a uma das lojas, na rua Silva Jardim, desde a manhã de segunda-feira. Desde então, a loja fechou as portas.
Algumas pessoas dormiram em frente à loja, de segunda-feira para terça-feira, para garantir que os carros não seriam levados para outro local. Ontem à tarde, a delegada foi até a loja para fazer a entrega de 35 veículos consignados para os donos dos carros. A delegada havia entrado com um pedido de busca e apreensão na Vara de Inquéritos Policiais para tentar recuperar os veículos. Mas, antes da Vara analisar o pedido, o advogado da Emily Car, Antonio Carlos Schurmiak, entrou em contato com a delegada afirmando que poderia abrir a loja e tentar resolver os problemas. Até o fechamento da edição, a delegada, o advogado e alguns clientes ainda estavam dentro da loja.
A delegada afirmou que a empresa pode ter cometido ''várias modalidades de golpe''. ''A loja não estaria pagando os proprietários, então os compradores receberiam a documentação de circulação, mas não receberiam a documentação de transferência do veículo. A loja também teria emitido cheque sem fundo e aprovado refinanciamentos sem autorização do proprietário'', afirmou ela.
O caseiro Jorge Siqueira Lima, 44 anos, afirma que pagou R$ 11 mil à vista por um carro em outubro do ano passado. Até agora, entretanto, ele não recebeu a documentação de transferência do veículo. ''Quando eu ligava para a loja eles diziam que não estavam conseguindo contato com a dona do veículo. E o carro está com o IPVA atrasado'', contou ele. O curioso é que, segundo documentação apresentada pelo caseiro à reportagem, a dona do veículo é Emilia Budnievski, a proprietária da empresa. O advogado da Emily Car confirmou que Emilia também é dona de carros à venda pela empresa, mas alegou que não tinha outras informações.
A delegada enfatiza que as investigações ainda estão no início, mas admite que a quantidade de clientes com problemas a surpreende. ''Fica difícil acreditar em boa fé. Tudo leva a crer que era um golpe''. Os responsáveis pela empresa podem responder por formação de quadrilha, estelionato e apropriação indébita. ''Acreditamos que documentos também tenham sido falsificados''. Até agora, foram registrados mais de 60 boletins de ocorrência no 2º DP.
O advogado da loja admite que houve atrasos em pagamentos, por exemplo, mas garante que são ''casos isolados''. A loja teria fechado suas portas, segundo ele, por conta do ''tumulto'' formado em frente ao local, o que teria impossibilitado a solução dos problemas mencionados pelos clientes. ''A empresa não está se recusando a pagar ninguém, vamos honrar todos os compromissos'', afirmou ele. O advogado enfatiza ainda que a principal proprietária da empresa, Emilia Budnievski, ''não se ausentou''. A delegada disse que ainda não conseguiu contato com ela e informou que pode pedir um mandado de prisão caso não obtenha respostas.


