Revendas podem estar envolvidas no tráfico
Agência Estado
De Brasília
A Polícia Federal está investigando a denúncia de que revendedores de veículos usados, de São Paulo, estariam financiando a distribuição de crack e lavando dinheiro de narcotraficantes. A acusação foi feita pelo traficante Orlando Marques dos Santos em depoimento reservado à CPI do Narcotráfico, em junho, em Brasília. Santos, que ajudava a distribuir a droga, listou os nomes de alguns revendedores envolvidos com o tráfico. Os deputados da CPI preferiram não revelar os nomes para não atrapalhar as investigações. A lista foi entregue diretamente à PF que há muito tempo vinha investigando as ações de Santos, preso há dois meses em Fortaleza.
O traficante contou que algumas agências de veículos são apenas fachada para lavagem de dinheiro. Para legalizar o dinheiro que arrecadam com a distribuição da droga, os supostos empresários inventam vendas fictícias de veículos. Santos explicou que os proprietários de revendedoras, em várias ocasiões, financiaram grandes compras de crack.
Algumas das grandes compras de crack, disse, foram feitas diretamente com a entrega de veículos de agências aos fornecedores de drogas. Membros da CPI pediram que a sessão fosse reservada, após o traficante, em seu depoimento público, se negar a revelar os detalhes sobre o narcotráfico em São Paulo.
Conhecido como velho Orlando do crack, o paraibano Orlando Marques dos Santos estaria despejando 300 quilos de crack em São Paulo todo mês, antes de ser preso. Na sessão pública, ele insistiu que vendia até 40 veículos por mês, em feiras de automóveis. Depois de muitas perguntas, Santos admitiu que os vendedores na verdade comercializam, no máximo, entre cinco a dez carros por mês. Ao dizer que vendia até 40 carros por mês, o traficante, na avaliação dos parlamentares, tentou justificar o grande patrimônio que levantou nos últimos anos com a droga, que inclui uma fazenda com 870 cabeças de gado no Tocantins.
Ele também deu detalhes sobre o suposto esquema de pagamento de propinas a policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc), em São Paulo, para, segundo disse, fazerem vista grossa para o tráfico de drogas. O traficante está preso na Casa de Custódia e Tratamento, em Taubaté (SP).





