Revelações de procuradores podem mudar rumo da CPI dos Bancos
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por José Ramos e Nelson Breve 
Brasília, 20 (AE) - As revelações feitas em reunião secreta aos senadores da CPI do Sistema Financeiro pelos procuradores do Ministério Público Federal que apreenderam documentos na casa do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, podem dar um novo rumo aos trabalhos da comissão. Surpreendidos com a "gravidade" das informações, os senadores adiaram para a próxima terça-feira (27) o depoimento que seria prestado hoje à CPI pelo ex-diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch. Na manhã de hoje, haverá uma nova reunião reservada da comissão. Nesse encontro, eles irão discutir os próximos passos da CPI, como a requisição dos documentos apreendidos e a realização de perícia para comprovar sua autenticidade. Na reunião sigilosa de ontem à noite, os senadores se comprometeram a não revelar o conteúdo do relato dos procuradores, mas alguns, diante das revelações, não se contiveram. "Se for comprovada a autenticidade dos documentos, eles poderão ruir os pilares da Nação", afirmou o relator da CPI, senador João Alberto Souza (PMDB-MA). "O material dos procuradores é um pouco mais forte do que nitroglicerina pura", comparou o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO).
De acordo com a versão que alguns dos senadores da CPI do Sistema Financeiro disseram ter ouvido dos procuradores, um dos documentos apreendidos da casa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes revelaria a existência de recursos no valor de US$ 1,7 milhão mantidos no Exterior por Luiz Augusto Bragança, que seria sócio da mulher de Lopes, Araci Benttes Pugliese, na empresa de consultoria Macrométrica.
Esse dinheiro deveria ser entregue à mulher de Lopes no caso de morte do ex-presidente do BC. Diante desses relatos dos procuradores, os integrantes da CPI dos Bancos, mesmo ressalvando que os documentos precisam ser periciados, avaliam que Lopes ficou em situação difícil. "Ele não tinha condições de vir à CPI hoje (ontem)", concluiu o senador Roberto Saturnino Braga (PDT-RJ), dizendo que a situação ficou "complicada" para Lopes. "São coisas que, se comprovadas pela análise grafotécnica, seriam bem difíceis para ele se salvar em uma CPI", avaliou o relator da comissão, senador João Alberto (PMDB-MA). Segundo ele, as pessoas que votaram a favor de Lopes para o BC estavam chocadas. "Até Suplicy está estarrecido", comentou João Alberto, referindo-se ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que votou a favor da indicação de Lopes para presidente do BC e foi o senador que mais insistiu com o governo para saber a razão da demissão de Lopes, ocorrida apenas cinco dias após a aprovação de seu nome pelo Senado.


