Réveillon leva turistas e caos a Búzios
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sábado, 03 de janeiro de 1998
Eliane Azevedo Agência Estado Rio de Janeiro 
Agência Estado
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Pedaço a pedaçoNa Praia de Ipanema, a disputa foi por um pedaço de sol, de areia e de mar, em dia de mais de 40 grausO caos anunciado aconteceu, e Búzios, o paraíso da Região dos Lagos, no Estado do Rio, virou um inferno de engarrafamentos, falta dágua e sujeira no feriadão de Ano Novo. Com 15 mil habitantes, o município foi invadido por 150 mil turistas, o dobro de sua capacidade de acomodação. Ontem, com a partida de cerca de 10% dos veranistas - quem era de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília decidiu enfrentar a longa viagem mais cedo - a sensação da prefeitura era de desafogo, mas havia a expectativa de esse número ser substituído por moradores do Rio que chegassem ao balneário apenas para o fim de semana.
Essa é uma situação que acontece aqui, na França, no mundo inteiro: as pessoas saem em massa das cidades para a praia e não há o que fazer, conformou-se o secretário municipal de Turismo, Isac Tilinger, que, às vésperas do réveillon, chegou a ir à TV pedir para que ninguém mais procurasse a cidade - obviamente, sem resultado. Agora, o novo apelo da prefeitura e da Via Lagos, que administra a rodovia RJ-124 (Rio Bonito-Araruama), principal via de acesso à Região dos Lagos, é de que os turistas não saiam todos de uma vez só no horário de pico, das 14 horas às 20 horas de amanhã.
Praias fervendoO sonho da Via Lagos é a partida escalonada, a partir de hoje. A capacidade da rodovia é, atualmente, de 40 mil veículos por dia e a previsão é do retorno de pelo menos 50 mil carros. A empresa vai colocar dez dos 12 postos de pedágio abertos no sentido de volta ao Rio, mas acredita que não vai conseguir eliminar a grande retenção de automóveis ali.
Outro ponto de engarrafamento deverá ser no município de Iguaba, onde há muitas lombadas. Estamos fazendo uma campanha para que os turistas antecipem a volta, mas as pessoas têm reservas até domingo e, com esse sol, dificilmente vão voltar antes do tempo, previu, no entanto, Tilinger.
O calor de 40 graus - também registrado ontem no Rio, fazendo ferver todas as praias - foi agravado pela falta dágua em Búzios. A cidade não tem água encanada e depende de poços artesianos e caminhões-pipa, que estão cobrando em média R$ 50 por dez mil litros. O lixo acumulado por essa horda de turistas é outro problema da região. Ontem, foram retiradas das praias 164 toneladas de lixo, dez vezes mais do que o normal da cidade.


