São Paulo, 12 (AE) - O réveillon deste ano levará à mesa da classe média a maior diversidade de vinhos, champanhes e outros espumantes a que o consumidor brasileiro já teve acesso. A alta do dólar forçou a importação de produtos mais baratos e a concorrência externa trouxe a necessidade de as vinícolas brasileiras melhorarem a qualidade de seus produtos. O resultado reflete-se nas prateleiras de supermercados e empórios: cheias de novidades engarrafadas, com os preços mais variados possíveis. Unanimidade, só com relação ao aumento do consumo. Tanto fabricantes como importadores esperam vender, no mínimo, 15% mais que em 1998. As vinícolas nacionais estão ficando sem estoque. Os importadores informam que podem faltar algumas marcas, mas não opções de compra. Acertaram as empresas que souberam se programar para atender à demanda diante das condições do mercado. A gaúcha Salton, por exemplo, prepara-se há quase dois anos para este réveillon. Investiu cerca de R$ 1,2 millhão, comprou máquinas, desenvolveu novos produtos e terceirizou parte da produção. A importadora Expand apostou em marcas mais baratas para não precisar elevar o preço médio em real.
Mais que as estratégias de marketing, as indicações médicas têm sido um dos principais meios de divulgação das bebidas feitas a partir da uva no Brasil. Com base em pesquisas que comprovam os benefícios ao coração e para evitar outros males à saúde, os consumidores buscam cada vez mais conhecer e consumir o vinho. Sul - No Rio Grande do Sul, nos últimos três anos, a procura pela fruta foi maior que a quantidade produzida. Com isso, o preço de tipos mais requisitados, como cabernet e merlot, subiu de R$ 0,30 para R$ 1,20 em dois anos. O Estado cobre mais de 90% da produção nacional de vinhos e espumantes. A cultura da uva representa a subsistência de cerca de 5 mil famílias gaúchas. Por isso, os pequenos agricultores, fornecedores da maior parte da matéria-prima para as vinícolas, estão sendo capacitados para ampliar e aprimorar técnicas de cultivo.
O consumo médio de vinho em um ano por pessoa no Brasil ficou em dois litros em 1999, o dobro do ano anterior. Em muitos países da Europa, porém, a ingestão per capita da bebida chega a 50 litros anuais. Conforme levantamento da Sopexa, empresa que promove o comércio de alimentos e bebidas franceses em outros países, há no Brasil 30 milhões de consumidores potenciais de produtos estrangeiros. A partir desse dado, a Sopexa América do Sul desenvolveu algumas estratégias para estimular o consumo de artigos franceses no Brasil.
No que se refere às bebidas, o diretor Christian de Préval explica que foi fortalecida a divulgação dos vinhos espumantes, chamados de mousseux, com média de preço até 80% menor que a bebida produzida em Champagne, na França. A tradição francesa não amedronta produtores nacionais. Várias marcas de vinhos e champanhes brasileiros têm recebido prêmios internacionais. Alguns empresários creditam a melhora da qualidade em grande parte à acidez da uva produzida no País, adequada em especial para os champanhes. Há expectativa, no setor, de que as bebidas brasileiras continuem crescendo em qualidade e quantidade.

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