Rio de Janeiro - Um País onde apenas 2% do lixo produzido é coletado de forma seletiva, curiosamente é também recordista mundial em reciclagem de latas de alumínio. No ano passado, esta matéria-prima reaproveitada chegou a 89% do total consumido pelas indústrias.
Para o coordenador de Indicadores Ambientais do IBGE, Judicael Clevelário, o desempenho contrastante entre os dois indicadores, intimamente relacionados, é sinal de que a reutilização de materiais no Brasil está muito mais associada ao valor de mercado e aos altos níveis de pobreza e desemprego do que à educação e à conscientização ambiental.
Para que a atividade se desenvolva de forma sustentável, disse, é preciso aumentar a coleta seletiva. ''Entre 1993 e o ano passado, a proporção de latas de alumínio recolhidas subiu de 50% para 89% e isso tende a aumentar. Mas precisamos tomar cuidado com esse dado, pois ele indica, na verdade, uma estrutura social perversa, que faz com que muita gente tenha de sobreviver catando lata no lixo'', avalia.
Também usadas pela indústria de refrigerantes, as embalagens de resina PET (polietileno tereftalato) têm valor, no mercado do reaproveitamento, cerca de seis vezes menor do que a sucata de alumínio e apresentam uma proporção de reciclagem bem inferior: 35% do total produzido, segundo dados de 2002.
A pesquisa mostra que houve aumento de reutilização dos cinco tipos de material incluídos na análise do IBGE - latas de alumínio, de aço, embalagens PET, papel e vidro.
Das 228 mil 413 toneladas de lixo coletadas diariamente no Brasil, segundo dados de 2000, apenas pouco mais de 4 mil, ou seja, 1,9% do total, passam por uma seleção antes de chegar ao destino final. O serviço existe em apenas 8,2% dos municípios brasileiros e está concentrado nas regiões Sul e Sudeste.(K.R./A.E.)

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