O empresário Antônio Crippa Neto, investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no esquema de exploração sexual de adolescentes, deixou a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) no início da tarde de ontem após aproximadamente quatro meses de detenção. Ele foi levado até o Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), onde recebeu a tornozeleira eletrônica para monitoramento e responderá a quatro processos em liberdade. Depois da instalação do equipamento, Crippa Neto deixou a unidade pelos fundos para evitar o contato com a reportagem da FOLHA, que aguardava a saída do réu.
O empresário foi preso preventivamente pela segunda vez neste ano, em junho, durante as investigações do Gaeco após ser solto, em abril, por causa de um habeas corpus. Segundo o advogado de defesa, Mario César Carvalho Pinto, a prisão preventiva se sustenta quando o acusado pode fugir ou atrapalhar o processo com a coação das vítimas. "Esse não é o caso do meu cliente. Ele é réu primário, tem residência fixa e se apresentou todas as vezes que foi chamado. Por isso, a defesa entrou com pedido para o benefício da tornozeleira eletrônica", explicou. De acordo com o advogado, outros réus investigados no esquema de exploração sexual já receberam tornozeleiras eletrônicas e também aguardam o julgamento em liberdade. A reportagem não conseguiu confirmar com a direção do Creslon quantos presos no escândalo utilizaram o dispositivo.
Pinto ainda informou que a instrução processual não tem data prevista para começar em nenhum dos quatros casos em que Crippa Neto é réu. "Existem algumas limitações com o benefício da tornozeleira, como a permanência nos perímetros de Cambé, onde ele reside, e Londrina por causa das audiências. Além disso, o réu não pode se ausentar da residência entre as 22h30 e 5h30, tem que se apresentar à Justiça uma vez por mês e fica proibido de qualquer contato com envolvidos e vítimas nos processos", acrescentou.

430 tornozeleiras
O diretor do Creslon, Reginaldo Peixoto, informou que aproximadamente 430 tornozeleiras eletrônicas são monitoradas em 16 cidades da região de Londrina. Por dia, entre cinco e 10 equipamentos são instalados na unidade, que também retira, em média, três tornozeleiras eletrônicas, diariamente, de pessoas que já cumpriram a pena. Peixoto lembrou que houve um aumento de 30% neste mês no pedido por tornozeleiras eletrônicas após o início das audiências de custódia em Londrina. "Em até 24 horas, os presos na cidade passam pela audiência e o juiz pode determinar a instalação da tornozeleira eletrônica. Assim, o acusado responde pelo crime em liberdade", comentou.

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