Pequim, 29 (AE-IPS) - A reunificação com Taiwan representará o maior desafio no próximo século para o regime comunista da China
que nesta sexta-feira celebrará seu 50º aniversário.
Em meio aos preparativos, o governo promove uma avaliação de suas conquistas e estuda suas perspectivas para o século 21.
Dois grandes temas dominaram a política nacional neste século que termina: o fim do domínio estrangeiro e a reunificação do território.
Quando o presidente e líder do Partido Comunista, Jiang Zeming
tomar seu lugar na tribuna da Praça da Paz Celestial nesta sexta-feira para pronunciar seu discurso, ele proclamará que a devolução de Macau à China, no próximo 20 de dezembro, será um passo importante para a reunificação.
Entretanto, a recuperação de Taiwan será muito mais difícil. Se algum mandatário chinês a conseguir, passará a ocupar um lugar na história junto com Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping, os mais importantes líderes comunistas dos últimos 50 anos.
Apesar de Macau ser um território muito pequeno (15,5 quilômetros quadrados), sua recuperação é considerada uma ponte até a reunificação total. A devolução do enclave português ocorrerá um ano e meio depois da devolução de Hong Kong pela Grã-Bretanha.
"Não se trata apenas de Macau. É uma questão que afeta todo o povo chinês", explicou Wang Qiren, diretor da sucursal de Macau da Agência de Notícias Nova China, que funciona como embaixada de fato na colônia portuguesa.
A fórmula pela qual Macau retornará ao regime chinês, sob o princípio de "um país, dois sistemas", significará muito para Pequim e suas futuras negociações com Taipé sobre a possibilidade de uma reunificação pacífica.
"O modelo de um país, dois sistemas (aplicado a Hong Kong) se aplicaria também a Taiwan", assegurou Wang.
Sob este princípio, concebido pelo falecido Deng Xiaoping, a China prometeu manter intacto o sistema capitalista das antigas colônias por 50 anos.
Mas a recente troca de declarações provocativas de ambos os lados do estreito de Taiwan afastou a possibilidade de se estabelecer negociações.
Pequim insiste que o presidente taiwanês, Lee Teng-hui, deve se retratar publicamente de sua declaração de julho de que as relações através do estreito deveriam ser de "estado para estado", por considerá-la um provocativo chamado à independência.
"Lee Teng-hui prejudica a si mesmo ao tentar afastar Taiwan da mãe-pátria", sustentou Wang.
Apesar de a China continental ter tido a ilha sob seu controle apenas durante quatro dos últimos 100 anos, ela sustenta que Taiwan é uma província renegada, parte indissolúvel da China, e que as relações entre as duas partes são uma questão exclusivamente doméstica.
Por outro lado, os taiwaneses sustentam que esses reclamos não têm sentido devido à longa separação, as diferenças fundamentais entre os dois sistemas políticos, o grande abismo no nível de vida de ambas populações e o direito de Taiwan à autodeterminação.
Nem sequer o devastador terremoto que matou mais de 2 mil pessoas em Taiwan na semana passada conseguiu aliviar a tensão no estreito.
Perguntada se Pequim faria uma pausa em sua disputa com Taiwan devido ao terremoto, Zhang Qiyue, porta-voz da chancelaria, disse que se trata de duas questões separadas e reiterou a exigência de que Lee Teng-hui se retrate de suas declarações.
Depois do tremor, a Cruz Vermelha chinesa ofereceu US$ 100 mil em dinheiro e US$ 60 mil em artigos humanitários, mas advertiu que todos os governos estrangeiros que oferecessem ajuda a Taiwan deveriam informar a ela antes de fazer a entrega.
Taipé também politizou os trabalhos humanitários, exigindo que os voluntários da China continental se registrassem na Fundação para o Intercâmbio através do Estreito, que trata das relações bilaterais na ausência de contatos oficiais, e provassem que não tinham motivações políticas.
Enquanto os sobreviventes do terremoto de Taiwan lutam para reconstruir suas vidas, Pequim se prepara para o maior desfile militar da história comunista da China.
Nesta sexta-feira, o Exército de Libertação Popular mostrará na capital os tanques, artilharia, mísseis e aviões que usaria para submeter Taiwan caso a ilha se atreva a declarar a independência, como advertiu Pequim em várias ocasiões.

mockup