Israel Reinstein
De Curitiba
Uma comissão formada por brasiguaios que estão acampados em Foz do Iguaçu deve se reunir hoje, em Assunção, com Walter Bower, ministro do Interior do Paraguai, para negociar uma saída pacífica para o conflito entre os imigrantes brasileiros e os campesinos (sem-terra paraguaios) no leste do Paraguai.
O encontro foi agendado depois de um pedido feito na semana passada pelo grupo ao governador Jaime Lerner, que destacou seu chefe de Gabinete, Pretextato Taborda Ribas, para intermediar o encontro.
No final da tarde de anteontem, a mesma comissão teve uma audiência em Ciudad del Este, com o governador do departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná, Jotvino Urunaga, que se comprometeu a levar o problema ao presidente paraguaio, Luís Gonzáles Macchi.
Em outra frente de negociação, o embaixador Sérgio Amorim, responsável pelas questões consulares do Ministério das Relações Exteriores e José Gregori, secretário nacional dos Direitos Humanos, órgão ligado ao Ministério da Justiça, se reuniram ontem de manhã, em Brasília, com o secretário-geral do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Romeu Olmar Clich.
As duas autoridades ouviram um relato detalhado da situação em Puerto Índio, localidade paraguaia à margem do Lago de Itaipu, onde os campesinos estão invadindo, saqueando e depredando as propriedades de cerca de 100 famílias de brasiguaios, que se ‘‘exilaram’’ há dois meses no lado brasileiro da fronteira.
Gregori e Amorim também foram informados por Olmar Clich sobre a situação em San Alberto (cidade paraguaia no leste do Paraguai com 90% da população formada por imigrantes brasileiros), ocupada há três semanas pelos campesinos, que querem a renúncia do prefeito brasileiro Romildo Maia de Souza.
As autoridades decidiram convidar o embaixador paraguaio Bernardo Pericas para começar esta semana as gestões diplomáticas entre Brasília e Assunção.
O conflito entre campesinos e brasiguaios já desperta a atenção de entidades internacionais de luta pelos direitos humanos. A representante da Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), Françoise Mathe, vai visitar Foz do Iguaçu para incluir os brasiguaios no relatório sobre a questão agrária no Brasil que está sendo elaborado pelo organismo para ser entregue, no próximo ano, à Organização das Nações Unidas (ONU).
Para o representante estadual do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, o advogado Narciso Pires, a situação dos brasiguaios é grave. Pires diz que os campesinos paraguaios estão sendo manobrados para pressionar e expulsar apenas os pequenos produtores brasileiros. ‘‘As grandes propriedades de brasileiros não estão sendo invadidas ou ameaçadas’’, questionou.Comissão tem encontro com ministro paraguaio para tentar uma saída pacífica para o impasse entre sem-terra e brasiguaios
Ney de Souza‘Exílio’Agricultores brasileiros expulsos de suas terras no Paraguai pelos campesinos estão acampados há dois meses em Foz do Iguaçu, ao lado da fronteira. Situação desperta interesse de entidades internacionais

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