Reunião vai definir futuro do Gaeco
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O futuro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MPPR) deve ser decidido nesta quinta-feira. Procuradores e promotores do órgão fazem uma reunião em Curitiba para definir quais medidas serão tomadas por conta do rodízio de policiais determinado pelo governo estadual. A alegação é que a rotatividade de profissionais prejudica o trabalho de investigação.
Os integrantes do Gaeco não descartam encerrar as atividades nos moldes como funciona hoje. No encontro também será avaliada a possibilidade de liberar os policiais para que retornem às polícias Civil e Militar antes mesmo que o cronograma do rodízio os atinja. O objetivo seria facilitar a saída para que eles possam planejar melhor seu retorno às corporações.
Hoje, o Gaeco mantém núcleos em seis cidades: Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Guarapuava. Entretanto, conforme os promotores, a redução no efetivo policial vem atrapalhando o andamento das investigações e impossibilitando a abertura de novos inquéritos.
Os integrantes do Gaeco não concordam com a implantação do rodízio de policiais determinado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Os promotores afirmam que a troca contínua de policiais é uma maneira de inviabilizar os trabalhos desenvolvidos pelo grupo e que, por isso, recusou os substitutos oferecidos pela Sesp.
O impasse começou no final de agosto de 2013, quando o Gaeco encaminhou pedido ao Conselho de Procuradores do MPPR para que a autorização concedida ao procurador Cid Vasques, para atuar como secretário de Segurança Pública, fosse suspensa. O argumento era a incompatibilidade entre as instituições, uma vez que o secretário estaria "obstruindo ações do órgão". O pedido não prosperou e o rodízio entrou em vigor em setembro.
A partir deste impasse Cid Vasques conseguiu, por meio de uma série de liminares da Justiça, permanecer no cargo, mesmo não tendo sua licença renovada pelo Conselho de Procuradores e, posteriormente, pelo Colégio de Procuradores do MPPR.
Gaeco
Segundo o procurador Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco, quase metade do efetivo policial dos seis núcleos do grupo já deixou os trabalhos. De um total de 60 policiais, 31 ainda estão atuando no órgão. "É uma situação complicada porque as investigações não avançam e os policiais que ainda permanecem nos Gaecos estão tendo que se multiplicar para dar conta do trabalho. Com isso o prejuízo para a sociedade é enorme", decretou.
Batisti informou ainda que, mesmo com todos os problemas estruturais e pessoais, chegaram até ele duas demandas para que fossem instalados núcleos do órgão em Ponta Grossa e Francisco Beltrão. "Percebe-se a importância do órgão no combate a crimes de corrupção. O trabalho desenvolvido aqui no Paraná inclusive serve como modelo para Gaecos de outros Estados. Entretanto precisamos tomar uma decisão, porque do jeito que está todos saímos perdendo", completou.
Cláudio Esteves, promotor de Justiça e coordenador regional do Gaeco em Londrina, aponta que a medida adotada pelo governo foi "unilateral". "Se pretende alterar um procedimento que vem sendo adotado há dez anos. Os trabalhos estão comprometidos porque falta pessoal. Muitas investigações estão paralisadas. Em Londrina tínhamos um efetivo de dez policiais e agora estamos com cinco, mas até sexta-feira mais três vão deixar o núcleo. Vamos deliberar sobre o problema e tentar encontrar soluções porque estamos dando um passo atrás", destacou.
A situação mais complicada é verificada em Guarapuava (Centro-Sul). De acordo com o promotor do núcleo, Vitor Hugo Honesko, apenas dois policiais ainda estão ligados ao Gaeco na cidade. "No final do ano passado desencadeamos uma operação que combateu fraudes em licitações e após isso recebemos diversas denúncias de corrupção e crime organizado de outras cidades da região, só que sem efetivo não conseguimos investigá-las", lamentou.
Sesp
Em nota oficial, a Sesp informou que "todos os protocolos relativos a movimentações de policiais civis e militares foram encaminhados à coordenadoria do Gaeco para manifestação e nenhum deles sequer obteve qualquer tipo de retorno". A nota informa ainda que "o enfraquecimento, se existente, está sendo causado pelo próprio Gaeco, que recusa, sem motivo, os policiais indicados pela Sesp, o que denota, inclusive, um desrespeito à corporação policial".


