São Paulo, 26 (AE) - A primeira reunião da comissão especial que avalia o pedido de impeachment do prefeito Celso Pitta transformou-se em palco para guerra política. Os sete vereadores que compõem o grupo deixaram de lado as perguntas técnicas e insistiram em perguntas repletas de defesas contidas ou acusações disfarçadas em relação ao prefeito. Ou então, unicamente na defesa de seu partido. A briga entre Pitta e seu padrinho Paulo Maluf (PPB), que teve seu ápice sexta-feira, quando Maluf chamou Pitta de "traidor", contribui, e muito, para esquentar os ânimos na Casa.
O vereador Viviani Ferraz (PL) não escondeu sua intenção de inocentar o prefeito toda a vez que questionava os depoentes. Diversas vezes perguntou se o prefeito deveria saber de um precatório especificamente em um universo de milhares de processos. "O senhor sabe quantos processos corre na Procuradoria?", perguntou ao advogado José Mário Pimentel de Assis Moura, autor do pedido de cassação, na tentativa de desviar a atenção do prefeito e responsabilizar a Procuradoria. Nos bastidores, ninguém entendia o posicionamento de Viviani Ferraz. Comenta-se que, em reunião do partido realizada hoje, teria ficado decidido que o PL apoiaria a queda de Pitta para Maluf favorecer-se politicamente.
Natalício Bezerra (PPB) pouco se manifestou, mas também foi enfático ao defender o secretário Municipal dos Negócios Jurídicos, Edevaldo Brito, citado pelos dois depoentes como co-responsável pela omissão do prefeito na cobrança do precatório estimado em R$ 269 milhões, devido pelo Estado. "Queria que fosse discutido o assunto em pauta, e não a qualidade da advocacia de Brito", afirmou. Bastidores - Nos bastidores da Câmara, sabe-se que a questão da cassação do prefeito ainda está indefinida e dependerá da moeda de troca que o prefeito terá para oferecer aos vereadores. Especula-se que Pitta possa negociar a influência em secretarias para evitar a cassação.
O vereador Salim Curiati Jr.(PPB), apontado como um dos poucos remanescentes do malufismo na Câmara, insistiu em perguntas diretas, enfatizando a culpa do prefeito na questão. E olhava com certo desdém para o colega Viviani Ferraz, quando este pretendia inocentar o prefeito. Mas nega qualquer intenção partidária na avaliação. "Quero ser técnico apenas", garantiu.
Aurélio Nomura (PSDB) passou todas as três horas e meia de depoimentos tentando livrar o seu partido de qualquer parcela de culpa. "Estão querendo desestabilizar o governo do Estado", declarou ele, pouco preocupado com as acusações contra Pitta. Várias vezes ele mencionou e questionou os entrevistados sobre o escândalo dos precatórios ocorrido na gestão Maluf, quando Pitta era secretário das Finanças. Fato este que nada tem a ver com as denúncias do advogado. Teve de ser interrompido pelo presidente da comissão, Natalício Bezerra, por estar fugindo da pauta original. Nomura confirmou que a briga entre Pitta e Maluf está alterando o quadro da cassação de Pitta. "Existe um clima de briga política e isso tende a piorar ainda mais", garantiu.
O pepebista Archibaldo Zancra, relator da comissão, quase não manifestou-se. Só pediu licença durante os depoimentos para aconselhar a ex-procuradora-geral do Município, Rita Gianesini, a não depor na CPI dos Fiscais. "Estou isento de opinião e só posso dizer que ainda não tenho uma linha a seguir", desconversou.

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