Londrina – A reunião entre o prefeito Alexandre Kireeff e representantes do movimento Passe Livre, que vêm realizando manifestações na cidade, terminou sem acordo ontem. Uma das representantes do grupo, Maíra Vieira, afirmou que as manifestações continuarão enquanto o aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,30 para R$ 2,65 não for revogado. "Só retomaremos o diálogo com a prefeitura quando a tarifa baixar", afirmou.
Segundo ela, a posição do prefeito, que afirmou que o valor cobrado atualmente não será reduzido, era esperada. "Não tínhamos perspectiva de conseguir um avanço real nessa reunião", alfinetou. Ela disse que a mobilização na rua continuará e ainda criticou a maneira como a repressão da PM vem sendo feita contra os manifestantes. Membros do movimento afirmaram que iriam decidir se entram com uma representação no Ministério Público contra a violência que teriam sofrido. Segundo a PM, todas as pessoas que foram presas cometeram algum tipo de crime. Segundo o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, Ricardo Eguedis, "houve o desacato e não houve abuso de autoridade".
Tanto a PM como a Guarda Municipal têm colocado homens infiltrados em meio aos manifestantes para registrar com câmeras os acontecimentos. De acordo com Eguedis, existem indícios de que o comitê do Passe Livre é ligado aos indivíduos que têm promovido depredação. "Nós temos uma vasta documentação de imagens dos protestos", afirmou.
Eguedis declarou ainda que durante a manifestação o telefone 190 ficou com as linhas congestionadas por conta de reclamações sobre o trânsito no centro da cidade. "Dez ônibus foram depredados nas três manifestações. Nós estamos percebendo a diminuição do número de manifestantes e o aumento da violência", apontou. Ele disse ainda que já solicitou uma reunião com os manifestantes, "mas eles não quiseram".
O prefeito Alexandre Kireeff argumentou que no momento em que há a possibilidade baixar os valores, a prefeitura faz. "Nós baixamos a tarifa duas vezes no ano passado, mas é preciso ter condições para isso. Nos colocamos à disposição para debater e encontrar de forma conjunta mecanismos para que possamos eventualmente baixar as tarifas, mas no momento não temos condições", argumentou.
Sobre a qualidade do transporte, Kireeff disse que existe a expectativa de criação de corredores exclusivos na Tiradentes, assim que for concluída a pavimentação da via. "Também já aprovamos o passe livre aos estudantes de primeiro grau e solicitamos ao governo do Estado um estudo para estender o benefício para o segundo grau. Se não houver condições, vamos buscar uma solução caseira", garantiu.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou que não iria se pronunciar sobre as manifestações nem sobre as estratégias de esvaziar o Terminal Urbano durante os protestos. O secretário de Defesa Social, Rubens Guimarães, afirmou que a Guarda Municipal está atuando de forma integrada com outras forças de segurança e que a opção de não intervir durante o calor dos protestos é estratégica para evitar conflitos mais graves.

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