A reunião para apresentação do estudo de implantação do novo aterro sanitário de Londrina, realizada ontem na Câmara Municipal, não agradou os produtores rurais instalados nas prováveis áreas, que foram incluídas para a construção do projeto. Eles estão convencidos que a instalação do aterro vai desvalorizar as terras e trazer prejuízos à população e ao meio ambiente.
O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima) serão entregues daqui a 15 dias, garantiu Fernando Salino, da empresa responsável pelos relatórios.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, tranquilizou os produtores. Ele garantiu que para evitar conflitos ''o estudo será amplamente debatido com a sociedade, antes da audiência pública para a instalação do novo aterro.''
Fernando Fernandes, da Universidade Estadual de Londrina, responsável pelo projeto que determinou três de 28 áreas inicialmente escolhidas, também tentou tranquilizar os produtores da região da Colônia Coroados, onde estão duas das áreas analisadas. Segundo Fernandes o projeto prevê compensações para o local que será desapropriado para instalação do aterro.
O prefeito Nedson Miqueletti, que chegou quase no final da reunião, garantiu que a prefeitura pode, a qualquer momento, incluir pedido de recursos no orçamento para custear a desapropriação da área escolhida. O custo da implantação do aterro, segundo ele, poderá ficar com a empresa gestora, assim como acontece com o atual aterro.
A outra área analisada fica próxima da estação da Eletrosul, a 8 km do perímetro urbano e 800 metros da Rodovia PR 445. A produtora rural Cleide Cabrera Kauam, dona de uma das áreas escolhidas para o estudo de impacto ambiental na Colônia Coroados, garantiu que não pretende vender parte de sua propriedade para instalação do aterro. A propriedade de Cleide é herança de família e hoje fonte de renda para ela e seus filhos.
A CMTU deverá desapropriar 25 alqueires para a construção do aterro. De acordo com Wilson Sella, o investimento total é de R$ 5 milhões. Ele garantiu que até julho de 2004 o atual aterro deverá estar desativado. O vereador Maurício Barros, da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, admitiu que a instalação do aterro ainda deverá gerar muita polêmica, especialmente junto aos produtores rurais nas imediações da construção. Barros garantiu que todo o processo, embora muita gente fique descontente, ''será feito em detrimento ao município'' de maneira a gerar o mínimo de prejuízo possível à comunidade.

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