Reunião para evitar greve é frustrada
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
Apesar das tentativas do governo, que reuniu-se ontem por quatro horas com um grupo de caminhoneiros, o Movimento União Brasil Caminhoneiro confirmou que vai deflagrar, a partir de segunda-feira, uma greve geral da categoria no País. A organização do movimento anunciou que a paralisação contará com a participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de donos de postos de gasolina, devendo reunir cerca de um milhão de caminhoneiros.
A greve é para valer e só vamos suspendê-la quando o governo atender nossas reivindicações, avisa o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, principal defensor da paralisação.
A ala de caminhoneiros liderada por Botelho, que representa apenas uma parte dos 1,3 milhão de caminhoneiros em atividade no País, reivindica livre acesso aos pedágios, seguranças nas rodovias, uma tabela referencial de fretes e a volta do Fundo Rodoviário Nacional. O fundo era administrado pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) antes da privatização das rodovias federais.
De acordo com Botelho, a decisão de deflagrar a greve foi reforçada após a reunião de ontem dos ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, José Gregori, com representantes de 12 entidades adversárias ao Movimento União Brasil Caminhoneiro, entre elas a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam). Apesar da adesão do MST, Botelho garante que a paralisação dos caminhoneiros será pacífica e não deverá haver bloqueio de rodovias federais. A idéia dos organizadores do movimento é parar os caminhões nos postos de gasolina e nos acostamentos das estradas.
Na reunião com Padilha e Gregori, os representantes das associações de caminhoneiros opositores a de Nélio Botelho, reivindicaram a aprovação em caráter de urgência de um projeto de lei regulamentando as atividades do setor. O governo se comprometeu enviar um projeto ao Congresso com pedido de aprovação urgente.
O representante da União Nacional de Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, propôs a criação de uma tabela referencial de fretes. A proposta da Unicam vincula o valor do frete por tonelada ao total de quilômetros rodados pelos caminhões. Para uma extensão de 50 quilômetros, por exemplo, cada tonelada de carga transportada sairia por R$ 4,30. O tabelamento do frete é considerado por China como essencial para garantir a sobrevivência dos caminhoneiros e evitar uma paralisação da categoria.
Durante o encontro, segundo os líderes dos caminhoneiros, também foram tratadas questões relativas ao vale-pedágio e ao projeto de lei que vai disciplinar a categoria, além de um balanço sobre financiamento aberto aos caminhoneiros para renovação da frota. O Ministério da Justiça deveria divulgar uma nota oficial sobre a posição do governo em relação às negociações com os caminhoneiros. Mas até o início da noite a nota não havia sido divulgada.


