Belo Horizonte, 15 (AE) - A moratória de Minas Gerais com a União pode estar perto do fim. Na segunda-feira (13), o governador Itamar Franco (PMDB) viajou para Washington, em licença de 15 dias, anunciando a decisão de manter a moratória com o governo federal, apesar de voltar a pagar as dívidas internacionais. Pouco depois da partida de Itamar, no entanto, o secretário estadual da Fazenda, José Augusto Trópia Reis, mudou radicalmente o tom do discurso e anunciou que o Estado poderá ficar em dia com a União em outubro.
A mudança de rumo ocorreu depois de um encontro com o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, ontem (14). Foi a terceira reunião entre os dois secretários. Reis deixou Brasília satisfeito e informou que um novo encontro entre os dois, para uma rodada final de negociações, foi agendado para o dia 5.
O secretário da Fazenda de Minas Gerais não quis entrar em detalhes sobre o encontro na sede do Tesouro Nacional, mas afirmou que há boas possibilidades de as relações entre o Estado e o governo federal voltarem à normalidade em breve. O que se sabe é que ele fez a Barbosa uma série de sugestões para facilitar o pagamento da dívida de Minas Gerais. "Minas quer pagar, mas precisa de condições para isso." Apesar da moratória
o Estado está em dia com as parcelas mensais da renegociação da dívida com a União por causa dos bloqueios por parte do Tesouro Nacional. Hoje mesmo, foram bloqueados R$ 15 milhões para cobrir a parcela de setembro, que não foi quitada.
Hoje, o Estado deve à União cerca de R$ 100 milhões, referentes aos Eurobônus, títulos do governo mineiro lançados no mercado internacional em 1994. Em fevereiro, quando venceu o primeiro pagamento, a União arcou com mais da metade da dívida para não pôr em risco a credibilidade do País no mercado financeiro. Além do reembolso do Eurobônus, Minas Gerais tem de conseguir recursos para pagar a parcela à vista da rolagem da dívida, cerca de R$ 1,8 bilhão, até 30 de novembro.
A tentativa de acordo com o Tesouro Nacional tem um objetivo: a liberação dos financiamentos suspensos em decorrência da moratória. O governo mineiro espera, como resposta à nova disposição de honrar as dívidas, que o governo federal envie aos Bancos Mundial (Bird) e Interamericano de Desenvolvimento (BID) ofícios dando conta da nova situação do Estado.
No início do ano, poucas semanas depois de Itamar ter decretado moratória, o Ministério da Fazenda mandou comunicado às instituições financeiras internacionais avisando sobre a inadiplência mineira e recomendando a suspensão de créditos negociados. Parte dos US$ 538,4 milhões que deveriam ser liberados a Minas Gerais pelos Bird e BID ficaram bloqueados. Por causa disso, projetos na área da educação, saneamento básico e recuperação viária ficaram paralisados.
Além de reativar esses projetos, o governo mineiro espera novos financiamentos para o programa de obras rodoviárias e aeroportuárias.
Com um orçamento de R$ 1,3 bilhão, as obras dependerão de pelo menos R$ 740 milhões em empréstimos do BID e do Bird para sair do papel.

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