Liana John
Agência Estado
De Recife
Após 15 dias de discussões, a reunião dos países signatários da Convenção de Combate à Desertificação terminou sem avanços concretos, apesar do empenho dos negociadores brasileiros em implementar ações e estabelecer cronogramas e metas específicas. ‘‘Consideramos positivo, de qualquer forma, o Brasil ter conseguido incluir no documento final o prazo para que os países apresentem propostas concretas de combate à desertificação, em lugar de voltar a discutir a desertificação em si’’, disse o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho (foto).
O documento – chamado Iniciativa de Recife – reconhece o enorme empenho dos 41 países africanos que elaboraram seus Planos de Ação Nacionais, com o apoio do secretariado da convenção. Mas deixa para a próxima reunião, marcada para outubro de 2000, em Bonn, na Alemanha, a elaboração de uma declaração com os compromissos a ser assumidos pelos governos. O máximo que se conseguiu incluir no texto foi que ‘‘os esforços para prevenir e controlar a desertificação não têm sido suficientes para impedir seu avanço’’.
Ficou acertada, além disso, a elaboração dos planos de ação dos países da América Latina e Caribe, a ser apresentados até a próxima reunião. ‘‘A Convenção de Combate à Desertificação é a única elaborada desde a Rio-92, que contempla o desenvolvimento sustentável’’, disse a representante da Guiné, Alison Drayton.
Os últimos dias da reunião sobre desertificação, no Recife, foram marcados por um impasse entre o grupo dos países em desenvolvimento – chamado Grupo dos 77 mais China – e a União Européia. A questão central do impasse era a autonomia do Mecanismo Global, o fundo comum criado em 1997 para financiar projetos de luta contra a desertificação. O Grupo dos 77 mais China queria aumentar a contribuição para o fundo (onde o controle dos doadores sobre uso dos recursos é menor), enquanto a União Européia considerava mais importante investir direto na implementação da convenção.

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