São Paulo, 18 (AE) - Terminou sem avanço a reunião de hoje do governo paulista com representantes do funcionalismo público para discutir a reforma da previdência estadual. "Não tivemos modificação em relação ao que foi debatido na reunião anterior"
disse o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejt), José Gozze.
Segundo Gozze, o governo não entregou os estudos atuariais completos - os dados vão até setembro de 98 - o que impediu o confronto com o números do relatório elaborado pelas entidades. "Dá a impressão que o governo está querendo fazer fundo de caixa, porque nossos dados não batem", disse Gozze.
Ele também cobrou a apresentação da minuta do projeto de lei do governo, requerida na reunião anterior, e sem a qual não é possível a realização de uma contraproposta das entidades. "Se a intenção do governo é negociar, nós precisamos ter conhecimento da proposta oficial." As entidades temem, segundo Gozze, que o governo paulista gaste o tempo de debate sem apresentar os documentos requeridos, envie o anteprojeto de lei à Assembléia Legislativa no prazo final (29 de junho), pedindo sua aprovação logo na primeira semana de julho, sem discussão em plenário.
Participaram da reunião, no Palácio dos Bandeirantes, o assessor especial do governo para a questão Fernando Carmona, ex-secretário de Administração, e os 12 integrantes da Comissão de Negociação dos Servidores Públicos, representando todo o funcionalismo estadual. Foi o segundo encontro para tratar do tema, o primeiro foi há uma semana, também na sede do governo paulista. Na próxima terça (25) haverá nova reunião. Mas a Comissão reúne-se antes, na quinta (20), para discutir dados complementares que devem ser enviados pelo governo.
A proposta inicial do governo, rejeitada pelos servidores, fixa alíquotas progressivas de 6% a 25%, e prevê a cobrança para os pensionistas, até então isentos. A mudança no sistema previdenciário estadual atingirá cerca de um milhão de servidores entre ativos (590 mil), inativos (273 mil) e pensionistas (157 mil), segundo dados do governo paulista.

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