Reunião do Mercoaul com UE, em Bruxelas, é adiada.
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Avelino Alves 
São Paulo, 06 (AE) - A reunião de chanceleres dos países do Mercosul e União Européia, marcada para 15 de novembro em Bruxelas (Bélgica), foi transferida para a primeira quinzena de fevereiro de 2000. A informação foi dada hoje pela ministra Maria Celina de Azevedo Rodrigues. Ela é coordenadora-executiva da Cimeira Rio/99. A ministra deu a informação no seminário "O Brasil e os Desafios do Comércio Exterior no Próximo Século", organizado pelo Escritório de Representação em SP do Ministério das Relações Exteriores. O evento aconteceu no Memorial da América Latina.
Em sua palestra, a ministra disse não ter ilusões quanto à abertura da economia européia no processo de acordo UE-Mercosul e tampouco que os europeus eliminem os subsídios no setor agrícola, o que facilitaria as exportações do Mercosul para aquela região. "No máximo haverá diminuição progressiva dos subsídios", opinou. E mais: "os governos europeus não vão mexer na qualidade de vida dos agricultores".
Para ela, o Brasil tem que diversificar suas exportações. "Limitamo-nos muito à exportação de laranja", disse. E acrescentou: "devíamos insistir na divulgação de nossas frutas tropicais, como maracujá, caju e guaraná". A ministra deu como exemplo o kiwi neo-zelandês que passou a fazer parte do cardápio de muitos europeus depois de um exaustivo trabalho de marketing de produtores e governo da Nova Zelândia junto aos países da UE.
Vantagens do Mercosul Um fluxo comercial de US$ 21 bi em 98, volume de importações globais de US$ 100 bi no mesmo período e um PIB agregado de US$ 1,1 tri. Esses são os fatores básicos que garantiriam que o Mercosul já deu certo. A opinião é de José Antônio Marcondes de Carvalho, diretor-geral do Departamento de Integração Latino-Americana do Itamaraty.
Para o ministro, que falou sobre as perspectivas do Mercosul, o bloco subregional conseguiu avançar em três pontos principais, desde que foi criado: racionalidade político-diplomática, democrática e econômico-social. Marcondes de Carvalho defendeu a resposta do governo brasileiro às intenções da Argentina de criar salvaguardas sobre todos os setores para se defender de mudanças econômicas dentro do bloco, como a desvalorização do real brasileiro, em janeiro. "Se tivéssemos concordado com as salvaguardas, esfacelaríamos o Mercosul", argumentou.
Para o ministro, todas as atuais pendências dos dois países mais fortes do bloco devem ser exaustivamente negociadas com a participação dos governos e empresários. Se uma saída não é possível, ele defende recorrer ao tribunal arbitral, um mecanismo de solução de controvérsias contemplado nos estatutos do Mercosul. "Toda vez que foi chamado a dar a sentença, o tribunal não só foi consensual quanto respeitado pelas partes em crise", disse Marcondes de Carvalho. Isso, para ele, são "fatores que mostra a evolução do bloco".


