Paris, 17 (AE) - Os que esperam medidas concretas da reunião dos ministros de economia e finanças e presidentes do bancos centrais do grupo dos sete países mais desenvolvidos (G-7), marcada para o dia 20, em Bonn, Alemanha, vão decepcionar-se. O presidente do Bundesbank, o banco central alemão, Hans Tietmeyer, pode limitar- se a propor a criação de um fórum de estabilidade que se reunirá regularmente para examinar a vulnerabilidades do sistema financeiro mundial, além de identificar os meios para superá-las. Pelo menos é isso o que se deduz da leitura do relatório que Tietmeyer vai apresentar aos ministros do G-7 que vão reunir-se na Alemanha. Nenhuma medida específica de luta contra o fluxo de capitais especulativos, que poderão continuar alimentando crises financeiras nos países emergentes, será anunciada.
Uma missão para estudar e propor medidas para conter o fluxo de capitais foi confiada a Tietmeyer em outubro e deveria ser uma das principais contribuições para a estabilização dos mercados financeiros, pilar da nova arquitetura financeira mundial, tão esperada pela comunidade internacional. Tudo indica que, mais uma vez, o programa completo de medidas está sendo novamente adiado, muito provavelmente esperando a presidência alemã da União Européia e a primeira reunião do G-7.
A reunião ocorrerá na véspera da viagem do presidente da França, Jacques Chirac, aos Estados Unidos, ocasião em que o The Wall Street Journal Europa publica as grandes orientações francesas em matéria de "arquitetura do sistema financeiro mundial".
Após as crises mexicana, asiática, russa e brasileira, o presidente francês deseja que "os Estados e as instituições financeiras internacionais sejam mais transparentes e seja melhorada a regulação dos mercados", por meio da "adoção de um verdadeiro código de trânsito para a circulação de capitais".
Para Chirac, é fundamental que, daqui para frente, "a dimensão social das crises seja levada em conta", propondo aumentar o engajamento dos responsáveis políticos pelo FMI. Chirac propõe Paris como sede de uma reunião, no segundo semestre, para um encontro dos membros do Comitê Interino do FMI que deve adotar as reformas.
Os objetivos do relatório Tietmeyer encontram-se na apresentação de 12 páginas que está sendo publicada na França. No preâmbulo, estão algumas metas, entre elas levar as instituições internacionais e autoridades responsáveis pela estabilidade financeira a coordenar melhor as suas atividades, para evitar os riscos em cadeia no sistema financeiro. Também faz três sugestõe: não diferenciar mais aspectos macro e microeconômicos em matéria de regras de prudência; conduzir as instituições multilaterais e as autoridades nacionais a agir em conjunto e associar os países emergentes a esse novo dispositivo.

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