Reunião do Copom tem inflação como pano de fundo
Brasília, 01 (AE) - As incertezas sobre a trajetória da inflação deverão pautar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima quarta-feira. A preocupação, segundo uma fonte do governo, é deixar a taxa de juros reais num patamar entre 10% e 12% ao ano nos primeiros meses após o anúncio da desvalorização do real. "Acreditamos que a tendência de alta dos preços deva se acomodar entre abril e maio próximo. Com isso, os juros poderão cair mais. Mas, agora eles têm que ficar altos", disse esta fonte.
O problema é definir qual será a trajetória da inflação para o ano. "Qualquer estimativa agora é ruim", disse esta fonte. As atenções, além disso, têm que estar voltadas para os índices de preços no varejo e não no atacado, de acordo com esta fonte. "Apesar de sabermos que a inflação no atacado acaba por contaminar o varejo, temos que ver o que acontecerá com os preços ao consumidor", afirmou.
Os caminhos a serem trilhados pelo Copom, em função disso, poderiam ser resumido em dois: deixar a Taxa Básica do Banco Central (TBC) e a Taxa de Assistência do Banco Central (Tban) inalteradas ou elevar a Tban a níveis iguais a 45% ao ano. Nestas duas alternativas, a linha de redesconto atrelada à TBC continuaria desligada e a taxa básica da economia continuaria sendo sinalizada pelo BC em suas intervenções diárias no mercado aberto.
Em sua intervenção de hoje, o BC já deixou claro para o mercado que as taxas continuarão no patamar de 39% ao ano até a próxima quinta-feira, um dia após a reunião do Copom. A elevação da Tban, entretanto, não é vista com bons olhos por setores do próprio governo. "Isto poderia levantar no mercado a hipótese de insustentabilidade da trajetória de crescimento da dívida interna", disse a fonte ouvida pela AGÒNCIA ESTADO.
A interpretação, no entanto, não é encarada como fundamentada tecnicamente por outros setores da área econômica do governo. "Esse pode até ser o efeito psicológico. Mas é só vermos que os juros já ficaram negativos neste mês de fevereiro", comentou uma outra fonte da área econômica do governo.





