Reunião discute soluções para população em situação de rua
Entre as medidas debatidas está a criação de normas para barrar a entrada de colchões e outros objetos no Terminal Rodoviário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de março de 2020
Entre as medidas debatidas está a criação de normas para barrar a entrada de colchões e outros objetos no Terminal Rodoviário
Vitor Struck - Grupo Folha 
Normas sobre o porte de objetos de uso doméstico nas dependências do Terminal Rodoviário de Londrina e a criação de um canal de comunicação com o setor privado foram algumas das medidas discutidas na reunião do comitê de trabalho que busca ressocializar parte das pessoas em situação de rua da cidade em médio e longo prazos.

A estimativa é que o número tenha saltado de cerca de 300 para próximo de mil no município desde 2011, segundo a prefeitura. Na ocasião, ficou estabelecido que o próximo encontro do comitê será no dia 1º de abril.
Embora moradores de rua estejam ocupando diversas praças e ruas da cidade, os pontos mais delicados e que foram alvos de debate foram mais uma vez o centro histórico de Londrina e a rodoviária. “É preciso que tenhamos em mente que não temos uma rodoviária como a de Curitiba, que é possível um isolamento dos locais, em que hoje só se acessa a parte interna quem tem o bilhete. Estão sendo pensadas obras de mudanças, estacionamento, iluminação, circulação, normas como não ser possível entrar com colchões, travesseiros, utensílios domésticos, mas é um processo que não é rápido”, avaliou a promotora de Justiça e coordenadora do grupo, Suzana de Lacerda.
Já como medida que possa trazer resultado nos próximos anos, uma possível aproximação com entidades do setor privado que possam absorver profissionalmente alguns destes moradores também foi citada. No encontro desta quarta, nenhum representante de entidades de classe esteve presente pois as entidades não fazem parte do comitê. A reportagem entrou em contato com os presidentes de duas das principais entidades de Londrina para comentar a ideia, mas sem sucesso.
Sobre este tema, o secretário municipal do Trabalho, Elzo Carreri, avaliou que a medida é vista com bons olhos e passa pela identificação das potencialidades produtivas de cada indivíduo. De acordo com pesquisa realizada com esta população, foram identificados moradores que conseguiram concluir o ensino superior e até ocuparam cargos “respeitados” pela ampla maioria da sociedade. No entanto, a medida deve ser alvo de grande polêmica justamente pelo País atravessar uma profunda crise econômica.
Questionada, a secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali, concordou com o desafio. “É um desafio de médio a longo prazo porque estamos numa cidade que tem a sua característica, mas é evidente que temos que ir avançando e cabe ao poder público porque é o nosso papel”, avaliou em alusão ao caráter considerado conservador de Londrina.
Questionado sobre o tema, o representante do Movimento Nacional dos Moradores de Rua, André Luiz Barbosa, avaliou que o problema é muito complexo porém foi corretamente debatido no encontro. "É um problema bem mais complexo, porém foi bem classificado por ele (o coronel Pedro Ramos, secretário de Defesa Social), ele foi bem contuso. É só o morador de rua que comete crimes? Porque lá fora (do País) já tem índices que comprovam que diminuiu o índice de criminalidade", comemorou.
Por parte da Secretaria Municipal de Educação, a cessão de mais educadores que possam atender no Centro Pop também foi sugerida pela secretária da pasta. Há cerca de dois anos, duas professoras realizam o trabalho no local. Segundo a promotora Suzana de Lacerda, este foi o quarto encontro do grupo e a avaliação vem sendo positiva.
Matéria atualizada em 05/03/2020 às 8h38 para correção de informação.


