Luciana Pombo
De Curitiba
O MST tem nova reunião marcada para amanhã com representantes do magistrado, Incra, Ministério de Política Fundiária, governo do Estado, Pastoral da Terra e Ministério Público. Durante a reunião, deverão ser apresentadas propostas e ações para o assentamento de famílias no interior do Paraná.
Segundo o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, o movimento quer que as propostas anunciadas anteriormente sejam cumpridas, desde a liberação dos recursos para assentamento de famílias até a divulgação de 20 novas áreas para a relocação de trabalhadores que estão em áreas consideradas como produtivas. ‘‘Temos apenas propostas que demonstram boa vontade, mas queremos que as propostas não sejam abstratas’’, afirmou Baggio.
Cerca de 400 pessoas estão acampadas em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Durante os 86 dias de acampamento, Baggio avalia que teve diversas vitórias. ‘‘A principal vitória que tivemos foi política, mostramos organização e ganhamos a simpatia do povo curitibano’’, afirmou. Os 42 sem-terra que tinham sido presos durante a execução de mandados de reintegração de posse em 14 áreas do Estado foram soltos e as oito preventivas decretadas, foram revogadas. ‘‘Só iremos deixar o centro do poder político do Paraná quando tivermos todas as nossas reivindicações cumpridas’’, complementou.
O superintendente do Incra do Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, disse ontem que se depender da instituição, os sem-terra deixarão Curitiba ainda esta semana. ‘‘Se a saída deles depende do Incra, eles sairão o mais rápido possível. Estamos preparados técnica e economicamente para conseguir áreas e assentar famílias’’, disse ele. Vieira não quis adiantar as propostas que serão apresentadas durante a reunião, mas garantiu que os 3 mil assentamentos previstos para este ano serão agilizados.
Ontem à tarde, cerca de 250 sem-terra estiveram na sede do Incra para adiantar pontos que serão tratados na reunião de hoje. Mesmo chegando sem aviso prévio, eles foram recebidos pelo superintendente. Inicialmente, foi comentado que se tratava de uma invasão, informação que foi negada mais tarde pelo instituto. ‘‘Tudo foi pacífico e o encontro proveitoso’’, informou Vieira.

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