Recife, 02 (AE) - A reunião de ministros da Educação dos nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo, entre eles o Brasil e a China, terminou hoje sem a definição de metas quantitativas e prazos a serem seguidos pelos governos. Diante da disparidade entre os indicadores educacionais de cada país, os ministros decidiram divulgar a Declaração do Recife, que apresenta objetivos gerais e desafios na área do ensino. O encontro foi em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife.
"Não podemos fixar metas globais para países em situação tão diferente", disse o ministro Paulo Renato Souza. O E-9, como é chamado o grupo, reúne Brasil, China, Índia, México, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Nigéria e Egito. Com o México, a China e a Indonésia, o Brasil tem, de modo geral, os melhores indicadores, enquanto Paquistão e Nigéria vivem a situação mais difícil no grupo.
A comparação, no entanto, esbarra nas diferenças entre os sistemas de ensino. Afinal, se a educação fundamental no Brasil dura oito anos, não passa de quatro na China e seis no México. "Qualquer meta que fosse incluída não poderia ser cumprida por todos os países, dadas as disparidades", justificou a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e secretária-geral do evento, Maria Helena Guimarães de Castro.
O documento será apresentado na Conferência Mundial de Educação para Todos, em abril, no Senegal, quando mais de 180 países deverão avaliar os avanços obtidos nos últimos dez anos, após a conferência da Tailândia (1990), e definir metas para a próxima década. Nesse encontro, será decidido também o futuro do E-9.
Para o Brasil, o grupo já cumpriu sua tarefa e deve dar lugar a novas iniciativas. Paulo Renato quer discutir com o Itamaraty a apresentação de uma proposta brasileira, na reunião no Senegal, prevendo a criação do E-20 - grupo que reuniria as 20 nações com mais de 20 milhões de habitantes e os piores indicadores educacionais do mundo. A continuidade do E-9, no entanto, foi defendida pelos representantes da Nigéria e do Paquistão.
Qualidade - A Declaração do Recife enfatiza a necessidade da alta qualidade do ensino. "Não levar a educação com nível de excelência para a maioria da população significa perpetuar a desigualdade, o desespero e o aumento da distância entre ricos e pobres", afirmou o ministro do Egito, Hussein El Din. A idéia é que não basta garantir uma vaga na escola, sem acesso a inovações tecnológicas e professores bem preparados.
O documento dá especial atenção a outra reivindicação bastante ouvida no encontro: a necessidade de cooperação dos países mais ricos e das empresas privadas para melhorar os indicadores educacionais nos países em desenvolvimento mais populosos do mundo (mais de 3 bilhões de pessoas). "Novos paradigmas de solidariedade internacional são urgentemente necessários", registra o texto. "Esses novos modelos requerem uma crescente cooperação técnica entre os países, bem como suporte técnico e financeiro de agências internacionais."

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