Reunião de Lerner com MST será hoje
Israel Reinstein
As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reúnem-se hoje, às 19h30, com o governador Jaime Lerner. O encontro marca o início das negociações sobre a questão fundiária, no dia em que o acampamento do MST comemora um mês em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Para ontem, estava prevista a primeira reunião, mas foi adiada porque parte da coordenação do MST, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Igreja e sindicatos alegou problemas de agenda.
O encontro foi cancelado pelo advogado da CPT, Darci Frigo. Ele afirmou que os líderes dos sem-terra foram comunicados tarde demais sobre a reunião. Lerner nos esperava às 18h30, mas fomos avisados às 17h45. Por causa do curto espaço de tempo, Frigo foi encarregado de comunicar a nova data e horário ao governador. Com isso, espera-se para hoje a presença de todos os coordenadores das instituições, como dom Ladislau Biernarski, que havia viajado ontem para Goiânia. Na sala de reuniões do Palácio, estavam ontem deputados estaduais da bancada governista, secretários, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos Vieira, e Dom Moacir Vitti.
Lerner afirmou que aceitou se reunir com os sem-terra depois de pedidos feitos pela Igreja, deputados e senadores. Atendi ao pedido com a condição de se conversar em cima de uma agenda positiva. A pauta da reunião, segundo nota do governo deve centrar-se em três pontos básicos: constituição de uma Comissão Estadual de Reforma Agrária e Assuntos Fundiários, política de assentamentos e financiamentos federais. Lerner deixou claro que não pretende falar sobre os conflitos ocorridos nas desocupações de fazendas. Acho que a população está cansada da discussão em torno de versões, afirmou.
Lerner admitiu que aceita conversar sobre o que fazer com as famílias despejadas e a aceleração do processo de assentamentos. Em partes, essa proposta do governo bate com a pauta de discussões do MST. Também é preciso conversar sobre o tratamento do governo estadual com os sem-terra, mais velocidade dos assentamentos e recursos para viabilizá-los, disse Darci Frigo. Para o advogado da CPT, o governo estadual demorou para recebê-los. Ontem (anteontem) ficamos esperando toda a noite para conversar, disse. O governador justificou a demora, por entender que não havia clima para se chegar a uma solução para o assunto.Exatamente quando o acampamento dos sem-terra em frente ao Palácio completa um mês, líderes do movimento e governador começam a conversar
José SuassunaEncontro canceladoLerner e Frigo conversam sobre novo horário da reunião, acompanhados por deputados, secretários e superintendente do Incra: condição do governador é que conversa seja sobre agenda positiva e que não se fale sobre conflitos nas desocupações de fazendas





