Reunião de hoje surpreende governadores aliados
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 26 (AE) - O diálogo aberto hoje, na Granja do Torto, em Brasília, entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e os Estados animou os governadores aliados, para os quais o entendimento se tornou possível, com as alternativas apresentadas pelo governo federal e a disposição para conversar demonstrada pela União.
"O diálogo está aberto entre a União e os Estados", disse o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB). "Agora, vai depender de cada um de nós o esforço para resolver nossos problemas", completou. "O que mais agradou foi o relacionamento franco entre os govenadores", acrescentou a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL).
Segundo os aliados, um dos termômetros do encontro foi a reação positiva dos governadores de oposição, que colaborou para que o resultado da reunião bom, ao contrário das perspectivas de alguns governistas.
Na véspera do encontro, o governo foi surpreendido pelas exigências que o grupo do PFL se preparava para fazer, como a não renovação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a imposição de um limite de 3% da receita para as perdas geradas com a Lei Kandir e outros fundos. Embora não tenha cedido nesses pontos, Fernando Henrique dispôs-se a encontrar soluções individualizadas para cada problema. "Foi iniciada uma conversa objetiva para resolver os vários temas que nos aflingem", ponderou o governador de Goiás, Marconi Perilo (PSDB). Para ele, a criação dos quatro grupos de trabalho com o objetivo de discutir soluções específicas, como a Lei Kandir e a criação dos fundos previdenciários dos Estados, demonstrou um interesse concreto do governo.
Nas 48 horas que antecederam o encontro, os ministros políticos do governo ainda tentavam encontrar soluções para diminuir um eventual desgaste do presidente. Por causa desse temor, a sabatina do economista Armínio Fraga, indicado para a presidência do Banco Central (BC), foi marcada no mesmo horário, no Senado, para dividir a atenção dos noticiários e do mercado.
"Minha preocupação era que a reunião poderia produzir um clima negativo, até porque o governo está quebrado e não pode atender aos Estados", afirmou Vasconcelos, lembrando que, na noite anterior ao encontro, não tinha a menor idéia do que poderia acontecer. "Mas a reação foi completamente inversa do que eu esperava e o presidente acabou sendo aplaudido", disse o governador pernambucano. "Foi nota nove", completou o governador da Bahia, César Borges (PFL).


