Reunião de FHC com aliados teve descontração e dispersão
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por César Felício e Gerson Camarotti 
Brasília, 05 (AE) - A reunião do presidente Fernando Henrique Cardoso com os aliados teve momentos de descontração e de dispersão. O último a falar no encontro, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), provocou risos ao fazer as sugestões para resolver o rombo na programação fiscal. "Tenho a solução para tudo, da impopularidade à derrota no Supremo: vamos fazer uma programação para a inflação voltar", disse Arruda. "Quando o Brasil estiver vivendo novamente em hiperinflação, a gente congela as aposentadorias e resolvemos o nosso problema de caixa", afirmou o senador, brincando.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, respondeu no mesmo tom. " É isso mesmo; providenciarei imediatamente o fim da estabilidade econômica", disse, no meio de risos. Até mesmo uma troca de farpas entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), foi encarada com bom humor. "Será possível que sou sempre eu que tenho de tomar medidas duras sozinho e aparecer como o vilão da história?", indagou Fernando Henrique. "O presidente quer dizer que é o Congresso que tem de ficar com a imagem de mau?", indagou Geddel.
O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), provocou risos nos presentes ao afirmar que o problema do governo era ter feito muito poucas reformas constitucionais. O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), disse que o governo não poderia contar com a presença da bancada mineira nas votações importantes porque os deputados do Estado teriam de ir aos Estados Unidos para desmentir o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga Neto, que recomendou, na semana passada, a investidores estrangeiros a evitar Minas Gerais.
A crise provocada pela decisão do STF, que afeta não apenas o governo federal mas também 16 dos 27 Estados que cobram contribuição previdenciária dos inativos, foi esquecida por alguns participantes da reunião. O deputado Pedro Corrêa (PPB-PE) comentou que o governo não dera a devida publicidade para a duplicação da ligação rodoviária entre João Pessoa e Campina Grande (PB), um exemplo, segundo ele, de falhas na comunicação institucional.


