Brasília está investindo R$ 3 milhões para sediar, de 9 a 14 de julho, a 52ª reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e espera receber 20 mil participantes, entre alunos, professores, pesquisadores e outros profissionais.
A SBPC foi fundada em 1948 para incentivar o desenvolvimento científico, tecnológico, educacional e cultural do País com a participação de 70 sociedades, associações e entidades das mais diversas áreas de conhecimentos. Anualmente, é realizado um mega-encontro, com programação científica e cultural de todas as sociedades regionais, universidades, empresas e órgãos do governo.
Na reunião deste ano, o público poderá conferir a 8ª Expociência e a Expoeducação com produtos e tecnologias, a Feira do Livro com 1.176 metros quadrados de área e 112 estandes, a 7ª Jornada de Iniciação Científica, além da SBPC cultural, que terá desde shows de rock a apresentações de balé.
A escolha de Brasília não foi por acaso. Há tempos, a comunidade científica está insatisfeita com a política de desenvolvimento científico e tecnológico no País. Neste ano, terá a oportunidade de manter um diálogo direto com o governo Federal. ‘‘Quem sabe faz, quem não sabe compra. Quem sempre compra está cada vez mais arriscado a tornar-se escravo, dependente, caudatário.’’ É com esse espírito que o reitor da Universidade de Brasília, Lauro Morhy, espera os os milhares de participantes.
Ele defende maior investimento na pesquisa e também na educação, argumentando que o avanço científico-tecnológico é a base para o desenvolvimento do País. Para o reitor, o momento é oportuno para que durante os debates seja feita uma ampla reflexão crítica sobre o Brasil.
Somando os 500 anos do Brasil e os 40 de Brasília aos desafios da ciência desenvolvida no País nessa virada de século, os organizadores querem promover o maior encontro nacional da ciência. A minicidade da UnB (Universidade de Brasília), que abriga 22 mil alunos, 1,3 mil professores e dois mil técnicos é o espaço adequado para receber a SBPC.
Entre as obras, destacam-se a construção de um pavilhão com salas de aula, um centro comunitário para 2,5 mil pessoas sentadas, iluminação do subsolo do prédio e reforma do Instituto Central de Ciências. ‘‘O impacto será grande na cidade, pois a capital se transformará na vitrine do país em termos de ciência e tecnologia’’, diz Regina Marques, coordenadora do evento.
São 13 patrocinadores entre ministérios, entidades, faculdades particulares e secretarias do governo local, que trabalham na organização, os quais terão estandes exclusivos para a exposição de seus trabalhos. ‘‘Hoje não dá mais para pensar em ciência e tecnologia sem o incentivo da iniciativa privada e ele, infelizmente, ainda é pequeno no Brasil’’, afirma Adler do Couto Andrade, responsável pelo Laboratório de Estudos do Futuro da UnB.
O Laboratório já está em clima de SBPC. Desde o início do ano, promove semanalmente o Fórum de Ciência e Tecnologia, uma série de debates sobre temas que vão desde recursos hídricos até financiamento de pesquisas. As discussões servirão de subsídio para um documento com propostas do DF para a melhoria da pesquisa científica no país.
Para Marcelo do Valle, presidente do Brasília Convention & Visitors Bureau, a reunião será muito positiva para a cidade. Em parceria com a UnB, a entidade, que busca atrair turistas para a o Distrito Federal, já contatou hotéis e empresas aéreas. Os descontos para os participantes chegam a 40%. Mesmo pagando menos, eles deixam mais dinheiro do que outros turistas.
Pelos cálculos do Convention Bureau, um turista de negócios gasta por dia R$ 200 com transporte, alimentação e hospedagem. Entre os 20 mil visitantes, estima-se que, no máximo, sete mil possam ser incluídos na categoria. Só aí são R$ 8,4 milhões. ‘‘Esse é um público formador de opinião. Se o atendermos bem, vai querer voltar’’, aposta Adler Andrade.
A organização da 52ª reunião da SBPC passa também pelos alunos da Universidade de Brasília. Alguns estudantes de biologia irão apresentar o resultado de seus trabalhos para outros estudiosos e a comunidade em geral. Entre eles, está o acompanhamento do dia-a-dia do macaco-prego.
Grande parte dos trabalhos são voltados para à realidade de Brasília. Um deles, feito por uma equipe de professores e alunos, estuda alternativas de tratamento de água para lagos com alta concentração de algas, como o Lago Paranoá. Mais barato que as técnicas tradicionais usadas para purificar esse tipo de água, o experimento pode sair dos laboratórios para se transformar em proposta viável para regiões mais carentes.

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