Reunião da SBPC discute crise nas universidades
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
Agência Folha 
A reestruturação do sistema universitário brasileiro deverá ser o principal assunto a ser debatido na 50ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que começa hoje em Natal (RN). Reestruturar é preciso , diz o pesquisador Sérgio Ferreira, presidente da SBPC, ao comentar o tema central do evento, Educação, Ciência e Investimento.
Além de diversas comunicações sobre pesquisas científicas, a reunião, que se encerra no dia 17, prevê debates sobre diversos temas relacionados com o papel do Poder Público no desenvolvimento da ciência e da educação nacional. A discussão sobre a reestruturação do ensino superior intensificou-se neste ano, com a greve dos professores da universidades federais em todo o País.
Uma das principais propostas, inclusive do governo federal, para superar a crise financeira dessas instituições é a da autonomia. A autonomia proposta para as universidades públicas precisa ser repensada, ou ela será um mero marcapasso , diz Ferreira. A experiência da autonomia das três universidades estaduais paulistas mostrou que os gastos com inativos engessa os orçamentos , diz o dirigente da SBPC.
As universidades estaduais paulistas, segundo o presidente da entidade - que é professor da USP (Universidade de São Paulo) -, têm sobrevivido com o auxílio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A experiência paulista, afirma Ferreira, não pode servir de modelo para o âmbito federal, que teve, desde o governo Collor (1990-1992), drásticas reduções dos recursos para apoio à pesquisa.
A entidade deve discutir também as fontes de investimentos para a pesquisa no Brasil. A indústria nacional sempre adquiriu tecnologia importada de curta duração , diz o cientista. Isso é ignorância do que é globalização.
Fundada em 1948, a SBPC passou por períodos de engajamento contra a política governamental para toda a sociedade. Hoje, não há mais a polarização contra os regimes militares ou contra o governo Collor , diz Ferreira. Nossa luta agora não tem de ser apenas por mais recursos para as universidades, mas também contra o diploma medíocre, e contra o falso regime de dedicação integral à docência e à pesquisa , afirma o cientista.
Ao comentar sua expectativa de um futuro melhor para a pesquisa e para o ensino no Brasil, Ferreira diz que tem esperança de corintiano : De derrota em derrota, chegaremos lá .


