Reunião com Lerner termina em impasse
Israel Reinstein
De Curitiba
O governo do Estado e o Incra iniciam um cronograma de assentamento de 2 mil famílias de sem-terra para os próximos 90 dias e, em troca da garantia de oferta de áreas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assume compromisso de congelar novas invasões. Foi essa a proposta de acordo levada pelo governador Jaime Lerner aos líderes do MST, ontem à noite, no Palácio Iguaçu, na retomada das negociações.
O acordo estava praticamente fechado às 21 horas (a reunião começou às 19h30), quando surgiu um primeiro impasse: o líder do MST Rogério Mauro considerou a oferta aquém das expectativas e pedia nova reunião para ter tempo de ampliar a discussão com os sem-terra. O governador insistia no fechamento do acordo. Lerner não quer outra reunião.
O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Darci Frigo ainda tentou a conciliação, mas a reunião acabou em aberto meia hora depois. Os bispos Ladislau Biernaski e Moacir Vitti, deputados e o procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia insistiam no acordo. A reunião terminou num segundo impasse, com o governo condicionando o assentamento das 2 mil famílias à desocupação da praça do Centro Cívico.
O governo propunha prioridade de assentamento às 645 famílias despejadas nas operações que a Polícia Militar desencadeou em 19 áreas do Noroeste do Estado. O líder do MST Roberto Baggio lembrou que a reivindicação do movimento era alcançar 9 mil famílias assentadas.
A discussão derivou para a questão de direitos humanos. Não tem como se falar de reforma agrária sem discutir a atuação da Polícia Militar, das prisões de lideranças e política de assentamentos, disse Darci Frigo. O governador considera injustas as acusações. Ele disse querer transformar essa injustiça em energia e solidariedade para modificar esse quadro.
Roberto Baggio cobrou do governador o fato de o Pará e o Rio Grande do Sul terem conseguido verbas maiores para a reforma agrária junto ao governo federal - R$ 104 milhões e R$ 37 milhões respectivamente, contra R$ 25 milhões para o Paraná -, em que pese o governo gaúcho ser de oposição. Lerner concordou que sente falta de apoio do governo federal.Movimento não aceitou proposta do governador de assentar 2 mil famílias dentro de 90 dias, alegando que oferta está aquém das expectativas
José SuassunaTentativaRoberto Baggio, líder do MST, e o governador Jaime Lerner no início do encontro de ontem: acordo frustrado





