Reumatismo é uma doença que também ataca crianças
Cleide Cavalcante
Agência Estado
De São Paulo
Doença que atinge mais de 16 milhões de brasileiros, o reumatismo é uma das principais causas de falta ao trabalho. E quem pensa que se trata de doença de velho está enganado: também os jovens e crianças são afetados. Preocupada com o problema, a Sociedade Brasileira de Reumatologia está empenhada em campanhas destinadas a conscientizar a população sobre a importância do tratamento precoce. Nos Estados Unidos, a doença já afeta mais de 40 milhões de pessoas, o que levou as autoridades locais a investir num plano nacional de prevenção.
Nos idosos, os casos mais comuns são de osteartrose e lombalgia. O reumatismo pode provocar dores nas juntas, deformações nas articulações e perda dos movimentos. Segundo a médica Marilene Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, as doenças sistêmicas relacionadas ao reumatismo, como a artrite reumatóide e o lúpus, só são detectadas por especialistas, e elas também atingem outros órgãos.
Em suas campanhas, a SBR tem duas preocupações especiais. Uma delas é conscientizar a população a respeito da necessidade de se conhecer a reumatologia como uma especialidade, para se saber a quem recorrer. A segunda é informar sobre os tratamentos que estão disponíveis até em hospitais públicos. É preciso encarar seriamente a doença reumática, adverte o médico Robert Meenan, decano da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston e secretário da Fundação de Reumatologia dos Estados Unidos. Porque não matam, as doenças reumáticas foram ignoradas como um problema de saúde pública e até como um problema pessoal, acrescenta o epidemiologista Chad Helmick.
Segundo ele, as doenças reumáticas afetam a qualidade de vida e podem causar incapacitação. No Brasil, elas estão entre as três principais causas de concessão de benefícios pelo INSS.
Reumatismo é o nome dado a mais de cem doenças diferentes, explica o médico Flamarion Dutra. As doenças reumáticas se caracterizam por um processo inflamatório de todas as estruturas que compõem as articulações, os músculos, os tendões, os ligamentos, as cápsulas e os ossos. Medidas como evitar o sedentarismo, o estresse e a obesidade, seguir um programa regular de exercícios e procurar ajuda médica ao primeiro sinal de dor nas juntas ajudam muito. O custo médio do tratamento pode chegar até a R$ 60,00 por mês, só em medicamentos à base de corticóides de última geração.





