São Bernardo do Campo, SP, 24 (AE) - Os participantes da sessão de ontem à tarde do Tribunal do Júri de São Bernardo Campo, na Grande São Paulo, foram surpreendidos quando o acusado desapareceu.
O episódio ocorreu por volta das 19h, assim que os jurados terminaram a votação na sala secreta e o juiz Luís Geraldo Lanfrete, titular da Vara do Júri, que presidia o julgamento, se recolheu para lavrar a sentença.
Antes da votação, o juiz e o promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior, sentindo que o clima estava tenso, requisitaram à Polícia Militar três homens para garantir a segurança.
Os jurados decidiram pela condenação do réu, Lino Francisco de Freitas, que respondia ao processo em liberdade, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e furto, também qualificados.
Ao fim da votação, segundo testemunhas ouvidas pelo promotor, o réu dirigiu-se a seu advogado e aos PMs, informando que ia telefonar. Não voltou.
Para o juiz Rogério Alcazar, diretor do Fórum de São Bernardo, quando se trata de réu respondendo ao processo em liberdade, não há a necessidade de uma segurança reforçada, pois, mesmo condenado, ele pode ter o direito de recorrer em liberdade.
Também não se pode algemar ou trancar um réu solto, ou impedi-lo de circular durante os intervalos.
Os crimes de que Freitas é acusado ocorreram em 1995. Ele foi preso preventivamente e depois, temporariamente. Ficou na cadeia por um ano e meio até que o Superior Tribunal de Justiça acolheu habeas-corpus em seu favor. Foi libertado em seguida.
Lanfrete estava em sua sala, determinando a pena, quando recebeu a notícia da fuga. Logo expediu um mandado de prisão. Imediatamente as Polícias Civil e Militar foram informadas, mas até as 20h de hoje o fugitivo não havia sido encontrado.
Para Lanfrete e Pereira Júnior, apesar de tratar-se de réu solto, houve falha na segurança, pois os PMs não prestaram a atenção devida. Alcazar afirmou que vai esperar o relatório do juiz do caso para falar em apurar responsabilidades. Mas Pereira Júnior já requisitou que os três PMs sejam afastados do serviço de escolta.
Mesmo com a fuga, Lanfrete fixou a pena em 23 anos de reclusão
sem direito a recorrer em liberdade.

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