O que poderia ter sido uma simples ocorrência de trânsito, como as muitas que acontecem diariamente em Londrina, terminou em populares indignados, várias viaturas da Polícia Militar (PM) mobilizadas, uma pessoa detida durante algumas horas e o envio de um tenente do 5º Batalhão da Polícia Militar à 10 Subdivisão Policial (SDP) especialmente para ouvir os relatos dos envolvidos, na tarde de ontem. Um caminhão Mercedes-Benz teria quebrado o espelho do retrovisor de uma caminhonete Silverado, de propriedade de um amigo de um policial militar, o que gerou uma grande confusão no Centro da cidade, pouco depois das 15 horas.
Tudo teria começado na Vila Casoni (Área Central), quando o motorista Ademir Roberto da Silva, que dirigia o caminhão, percebeu que estava sendo seguido pela caminhonete. Na Rua Minas Gerais, pouco acima do cruzamento com a Rua Sergipe, o caminhão foi fechado pelo outro veículo. ''Não entendi o que estava acontecendo, minha mulher ficou nervosa e começou a perguntar por que estavam fazendo aquilo. Nisso o motorista de uma caminhonete branca, que eu não sei de onde saiu, começou a agredi-la e a xingar minha filha de 13 anos. Fiquei muito nervoso e dei um tapa na cabeça dele. Nisso já apareceu um policial me batendo, me jogaram no chão e me algemaram. Daí me colocaram na viatura e me trouxeram para cá'', relatou o motorista, já no Centro Integrado de Triagem (CIT) da PM.
Muito nervosa, a mulher de Silva contou que foi agredida com tapas e chegou a cair. ''Meu marido não é bandido, é um trabalhador'', indignou-se. O vendedor Eliel Reis, que presenciou o ocorrido, também se revoltou. ''Acho que a mulher do motorista achou que fosse um assalto e desceu do caminhão, junto com a filha. Minha indignação é que começaram a bater no rosto dela e na menina'', disse. Várias pessoas que estavam no local confirmaram esta versão.
O motorista da S10 branca, um soldado da PM identificado apenas como Ronaldo, que estava fora do horário de trabalho e à paisana, também se dirigiu para o CIT, onde foi ouvido junto com os amigos. Enquanto seu depoimento era registrado, o motorista do caminhão foi levado para uma das celas existentes no local. Ao terminar seu depoimento, Ronaldo foi abordado pela reportagem, mas se negou a dar entrevista.
O tenente Gustavo Hauenstein, designado para ouvir os envolvidos, informou que o motorista do caminhão foi ''conduzido coercitivamente'' à cela, e admitiu que este tipo de conduta não é comum quando se está apenas registrando um termo circunstanciado. ''Provavelmente isto foi necessário devido ao grande movimento de pessoas aqui'', justificou.
O tenente informou que será aberto um procedimento administrativo para apurar o ocorrido. ''Estou aqui para ouvir todas as versões e documentar ao comando do 5º Batalhão.''
Silva foi levado à cela pelo 1º Sargento Bená, logo depois de uma discussão com o advogado Ailton Domingues de Souza, contratado para fazer a defesa do motorista. O patrão do motorista, Edvânio Teles dos Santos, relatou que Silva trabalha para ele há quase quatro anos, no transporte de frutas. ''Nunca tive problemas com ele, é uma pessoa bastante tranquila.''

Assalto - Enquanto acontecia a confusão na Rua Minas Gerais, com várias viaturas policiais no local, a poucos metros dali um homem armado roubou um malote com R$ 9,7 mil de uma financeira que fica no Calçadão. O funcionário saiu da empresa para depositar o dinheiro em um banco que fica ao lado e foi abordado pelo assaltante armado, que aparentava ser menor de idade. Até o início da noite de ontem a polícia não havia localizado o assaltante. (Colaborou Wilhan Santin)

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