Retração da atividade industrial é menor que a esperada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 7 (AE) - A produção industrial brasileira cresceu 2 1% em maio, na comparação com o mês de abril, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o melhor resultado apurado pelo instituto desde junho de 1998, mas o desempenho do setor de janeiro a maio ainda é inferior ao mesmo período no ano passado, afirmou a gerente de Análise de Dados da Indústria do IBGE, Miriam Ferreira.
"Com este aumento, a indústria fica no mesmo patamar de produção de agosto, o último mês antes da crise russa", afirmou Miriam. O índice obtido em maio mostrou que a retração da atividade industrial foi menor do que o esperado, após a maxidesvalorização do real em janeiro, acrescentou a pesquisadora do IBGE.
O crescimento de 2,1% foi resultado do aumento da produção de 16 dos 20 ramos industriais pesquisados pelo IBGE. Os setores com altas que mais se destacaram foram os de fumo (9%), têxtil (8,1%) e produtos alimentares (7,8%). Na divisão por categorias de uso, os bens de consumo duráveis tiveram a maior expansão, de 2,5%, seguidos dos bens intermediários, cuja produção teve alta de 1,8%. A fabricação de bens semiduráveis e não-duráveis teve retração de 0,1%.
Queda acumulada - Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a produção do setor em maio ficou 3,1% menor. O resultado acumulado desde o início do ano apontou retração de 3 3% da atividade na indústria. A queda só não foi maior porque a indústria extrativa mineral teve expansão de 12,6%, que compensou a redução de 4,8% na atividade da indústria de transformação.
O declínio na indústria de transformação é consequência da queda de 18,2% da produção de bens duráveis e de 13,4% na fabricação dos bens de capital. Miriam explicou que, no primeiro caso, a alta da taxa de juros tornou difícil o financiamento para as empresas investirem. No caso da fabricação de máquinas, o desempenho foi prejudicado pelas expectativas negativas das empresas que compram os equipamentos.
Recuperação - A gerente do IBGE afirmou que há "expectativas favoráveis" para o desempenho da indústria no segundo semestre. A queda da taxa de juros deve ser repassada para o crédito ao consumidor, e é esperado o aumento das exportações de bens produzidos pelo setor, argumentou Miriam. A desvalorização do real também deve melhorar as condições de competição dos setores têxtil e de vestuário, já que os produtos de concorrentes estrangeiros estão mais caros, acrescentou a pesquisadora.
"O segundo semestre vem melhor", previu Miriam. "Os empresários estão mais otimistas, e sempre que eles estão otimistas, acontece uma melhoria".


