Retorno do investimento supera expectativa no Rio
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terça-feira, 16 de fevereiro de 1999
por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 17 (AE)- O carnaval carioca foi bom para o folião e ótimo para quem investiu na festa, da rede hoteleira que lotou antecipadamente os 30 mil quartos existentes na cidade ao camelô que foi aos blocos vender cerveja e refrigerante. Se o investimento é grande, o retorno foi acima da expectativa. O Rio lucrou financeiramente e em termos de imagem, pois este carnaval foi também mais tranquilos que a cidade já viveu, apesar de ter recebido cerca de 300 mil turistas, segundo os cálculos da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav).
A Riotur comemorava o sucesso depois de dois anos investindo R$ 20 milhões no projeto Rio Incomparável. Pelo sambódromo passaram cerca de 80 mil pessoas no domingo e segunda-feira para ver o desfile do Grupo Especial. Ao lado, o Terreirão do samba, bateu o recorde público na segunda-feira. Foram 18 mil pagantes assistindo aos shows populares e deixando nas bilheterias R$ 54 mil. Nos outros três dias de carnaval, o público nunca foi inferior a 15 mil pessoas que aproveitaram o ingresso a R$ 3,00 para sambar até de manhã.
A rede hoteleira comemorou. E desde setembro do ano passado está com ocupação acima média. A maioria dos turistas pagou o pacote de quatro ou cinco dias com antecedência, o que fez o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira
álvaro Bezerra de Melo, desejar que "o carnaval acontecesse pelo menos três vezes ao ano". Até o hotel Luxor do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ficou cheio, apesar de ser longe de das regiões turísticas.
"Muita gente vem só para desfilar, fica só um dia no Rio e prefere se hospedar perto do aeroporto, por uma questão de conforto", explica o assessor de imprensa do hotel, Mário Ajul.
Para as escolas de samba, o carnaval foi uma prova de tenacidade. A verba de R$ 300 mil que cada agremiação do Grupo Especial recebe para desfilar só saiu no fim de dezembro e os barracões fizeram, em um mês e meio, o trabalho que leva seis para ficar pronto. E houve escola, como a União da Ilha, que enfrentou um incêndio e uma inundação, mas conseguiu realizar um desfile correto. Diante de tantos contratempos, Joãozinho Trinta resumiu a situação pouco antes do desfile da Viradouro: "A grande surpresa que preparei para 1999 foi ter conseguido fazer o carnaval, apesar da crise que o País atravessa". Minutos antes de a Imperatriz Leopoldinense sair, já às 4h30 de terça-feira, encerrando os desfiles de 1999 o presidente de honra de escola e também presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Luiz Pacheco Drumond, comemorava "o belo carnaval que todas as agremiações fizeram com dinheiro escasso e contratempos de todos os tipos".
Num ano em que todos tiveram lucro com o carnaval, sobrou até para Natal, capital do Rio Grande do Norte, que comemora 400 anos e foi enredo do Salgueiro. A prefeita da cidade, Vilma Faria participou do desfile de domingo e comemorava a publicidade gratuita.
"Se fôssemos pagar essa divulgação que Natal teve no mundo inteiro não teríamos nem um décimo do dinheiro suficiente", lembrava ela. "Estar no carnaval do Rio como tema do Salgueiro era tudo que a cidade precisava para ficar conhecida como polo turístico."


