Retorno de Leal pode 'rachar' igreja
Marta Medeiros
De Maringá
O novo presidente mundial da Igreja Só o Senhor é Deus, Darcy Rui Amorim, disse ontem que o ex-missionário e fundador, Alécio Miranda Leal, agia como um ditador. A igreja, diz ele, passa agora por um período democrático e de reestruturação. Segundo os novos líderes, o objetivo é desvincular o nome do ex-missionário da igreja porque as atitudes de Miranda Leal estariam desmoralizando a congregação. A Só o Senhor é Deus não será mais conhecida como a igreja do Miranda, afirmou Amorim.
Segundo Amorim, os pastores de 1,6 mil sedes do templo distribuídas em todo o país, na Argentina e no Paraguai, avisaram a nova liderança que uma eventual volta de Miranda Leal pode significar uma divisão da igreja. Os pastores, principalmente de regiões mais afastadas do Brasil, acusam o ex-missionário de ter abandonado as igrejas. Amorim contou que até mesmo o templo matriz de Maringá, em forma de arca, deixou de receber cuidados e está com parte do telhado comprometido.
Ele (Leal) comandava e centralizava tudo, mas nos últimos anos passou a tratar muito mal os pastores e missionários e não admitia ser contestado. A ditadura foi terrível, disse o novo presidente mundial que era de Rondonópolis (MT).
Amorim contou também que os cargos da diretoria ele próprio era vice-presidente no período de Miranda Leal eram figurativos. Na verdade, todo mundo sabia do que estava acontecendo, mas ninguém podia falar, completou. O temor dos pastores com relação à volta de Miranda Leal se deve a entrevistas que o ex-missionário deu ao procurar um jornal e uma rádio de Maringá. No pronunciamento, Miranda Leal disse que foi obrigado a renunciar à igreja e que mesmo assim iria voltar à liderança.
Como missionário ninguém mais quer vê-lo, agora como pessoa e por ter ficado 25 anos à frente da igreja pode ser que tenha pessoas com saudades dele, completou o novo presidente. Para o vice-presidente, Geraldo Aparecido Marciano, o ex-missionário não quer paz. Marciano contou que ficou impressionado com as entrevistas de Miranda Leal, considerado pela própria Justiça como pessoa em lugar incerto e não sabido. Nós estávamos fechando um acordo com o ex-missionário, adiantou o vice-presidente.
Conforme Marciano, Miranda Leal ficou de devolver R$ 500 mil dos R$ 2,6 milhões sacados de contas correntes administradas por ele e pela mulher Saline Atie Ramos, ex-tesoureira da igreja, além do apartamento na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro (RJ) e a Rádio Difusora de Londrina. Pode ser que venha um novo acordo. Por enquanto, vamos continuar com a ação que tramita na Justiça, disse o vice-presidente.Ameaça do fundador da Só o Senhor é Deus de reassumir presidência da igreja causa temor entre os pastores do Brasil e dos países vizinhos
Marcos NegriniMUDANÇASDarcy Ruy Amorim: A Só o Senhor é Deus não será mais conhecida como a igreja do Miranda





