Rio, 09 (AE) - Chegou hoje de Israel mais uma brasileira que estaria sendo mantida em cárcere privado no País por uma suposta máfia internacional de prostituição. Com medo de sofrer represálias, a carioca Andréia Oliveira dos Santos Amaral, de 28 anos, afirma que não se prostituiu em Tel-Aviv, apesar de ter contado que o dono do restaurante em que fora trabalhar, conhecido por Samuel, aliciava funcionárias oferecendo jóias e apartamentos em troca de sexo.
Ela não quis detalhar o conteúdo do depoimento, de quatro horas e meia de duração que prestou durante a manhã à Polícia Federal. Na casa de seu tio, em Rocha Miranda, na zona norte, Andréia contou que foi para capital de Israel no dia 7 de setembro do ano passado após receber proposta de uma mulher (Sônia) - que seria sua vizinha em Nilópolis, na Baixada Fluminense - para receber US$ 800 mensais. Ela, no entanto, afirma que recebeu US$ 500 pelos três meses em que trabalhou como axineira, antes de fugir para outra cidade, no mês passado.
Andréia diz que conseguiu a passagem de volta para o Rio na embaixada brasileira, porque o dono do restaurante teria cancelado a sua, que fora marcada para 9 de dezembro. "Ele batia em algumas mulheres e ameaçava nos denunciar à polícia, porque estávamos irregulares no País", afirmou. "Fui iludida, e no final estava sem dinheiro, sem comida, sem casa e não falava a língua local; nessa situação, muitas acabam indo para o caminho da prostituição", disse Andréia, que admitiu ter participado de um "show de mulatas" na cidade para "ganhar um extra para comprar comida".
Ela, que deixou no Rio o filho Gabriel, de sete anos, ficou 75 dias sem manter contato com família. Antes de Andréia falar à imprensa, sua advogada, Cristina Leonardo, afirmara que ela fora vítima de uma rede de prostituição que seria uma ramificação daquela acusada de matar a brasileira Kely, em outubro do ano passado, também em Tel-Aviv. "Foi péssimo, até passar fome eu passei, trabalhava de manhã até meia-noite fazendo faxina e descascando batata", disse. "Se fosse prostituta eu teria dinheiro, mas não quis", disse Andréia.

mockup