Retomada das aulas na UEL ainda é incerta nos departamentos ocupados
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sábado, 05 de novembro de 2016
Gabriela Nogueira e Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 
Mesmo com o fim da greve de servidores e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aprovada na noite de sexta-feira (4), o retorno às aulas, agendado para a próxima terça-feira (8), ainda é incerto nos departamentos ocupados por universitários. O Sindicato dos Servidores Técnicos Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel) declara apoio ao movimento e o Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Londrina (Sindiprol/Aduel) decidiu que os docentes terão autonomia para definir se haverá e como serão ministradas as aulas. Já o Comando de Greve Estudantil da UEL garante que a paralisação continua e adianta que haverá resistência em caso de retomada dos trabalhos nos locais ocupados.
A reitora da UEL, Berenice Jordão, afirma que a ocupação da reitoria, ocorrida na noite desta sexta-feira (4), não atrapalhará a volta às aulas. "As providências que passam pelo gabinete vão ficar prejudicadas, inclusive questões financeiras e a vida jurídica da UEL, porque a procuradoria jurídica da universidade fica dentro do gabinete. Mas nos centros de estudos o retorno deve acontecer normalmente", explica.
Além da reitoria, estão ocupados os departamentos dos cursos de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Pedagogia, Design Gráfico e Moda no Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca). A rádio UEL FM também está ocupada desde a última quarta-feira (2) por estudantes de Comunicação Social.
De acordo com o presidente da Assuel, Marcelo Seabra, os servidores apoiam o movimento dos estudantes por entenderem que as solicitações são legítimas. "Eles têm de ser ouvidos e o protesto deles é a única forma de chamar a atenção", diz. Por isso, a retomada dos trabalhos vai depender da disponibilidade em cada departamento. "Onde não for possível (retornar), vamos respeitar."
O Sindiprol/Aduel, em nota publicada no Facebook, explicita que a assembleia de docentes "defende a autonomia do movimento estudantil e suas formas de organização", "rejeita a criminalização do movimento, qualquer repressão e punição dos estudantes" e "repudia a postura da reitoria de judicializar a ocupação da rádio". O presidente do sindicato, Renato Barbosa, diz que a categoria só retorna às atividades na terça-feira para ter tempo de definir com os estudantes que ocupam departamentos como será a dinâmica nestes locais. "A pauta deles é diferente das nossas, mas eles só conseguem ter espaço impedindo o acesso dos professores", avalia.
A pauta dos estudantes universitários incluem medidas nacionais e locais. De acordo com a nota divulgada na página do Comando de Greve Estudantil da UEL no Facebook, as reivindicações são a revogação imediata da PEC 241 (55 no Senado, que institui teto para o aumento dos gastos públicos), da MP 746 (reforma do ensino médio) e contra o projeto de lei da "escola sem partido"; a permanência das cotas raciais na UEL; a ampliação imediata da moradia estudantil, contra a expulsão de uma estudante da moradia da universidade e soberania dos estudantes moradores nas decisões da casa; financiamento integral da UEL pelo governo do Paraná; e defesa do Passe Livre Estudantil, mesmo com a troca de governo do município.
Um porta-voz do comando de greve diz que a ocupação da reitoria foi aprovada por unanimidade em assembleia na noite desta sexta-feira. Ele ainda afirma que a saída do prédio ocorrerá assim que a reitora atender os pleitos da categoria. Cerca de 60 universitários se revezam na função.
De acordo com o comando, "foram realizadas diversas tentativas de diálogo com a direção da universidade e em nenhuma delas o Comando de Greve foi atendido". A reitoria contesta e diz que a uma única tentativa de diálogo ocorreu na quinta-feira (27). "Como eu estava de viagem, a carta com as reivindicações dos estudantes foi deixada no gabinete para me entregarem. Quando retornei esta semana, conversei com eles e disse que não tinha tomado providências, porque boa parte dos funcionários está em greve", defende. Berenice ainda destaca que, com a reitoria ocupada, os encaminhamentos das reivindicações "ficam mais complicados".
Na noite desta sexta o pró-reitor de pós-graduação da UEL compareceu na reitoria e, apesar de ser impedido de ingressar no prédio, conversou com os alunos. Ele esclareceu as restrições de ocupação do local, como cuidados para não depredarem o patrimônio, não causarem dano material e, principalmente, não tocarem nos processos dentro do gabinete. "Calculo que a partir desse momento os estudantes já atingiram o objetivo da ocupação e tiveram visibilidade marcando a posição deles diante da pauta. Continuaremos as negociações até sentirmos que essa via esteja esgotada," conclui Berenice.
Imbróglio na rádio
Uma contraproposta à ocupação da rádio e ao pedido de utilização da programação para divulgação dos atos do movimento grevista foi apresentada aos estudantes nesta sexta-feira. A sugestão foi dada pelo vice-reitor da universidade, Ludoviko dos Santos, e o diretor da emissora, Osmani Costa. A proposta é que a programação da rádio vá ao ar por 45 minutos pela manhã, 45 minutos à tarde e 1h30 à noite, com espaço para discussão das pautas do Sindiprol, da Assuel, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e dos universitários de Comunicação Social.
"Nós estávamos cobrindo pouco essas pautas, porque quase 100% dos funcionários da rádio quiseram entrar de greve. Então cinco horas diárias para gente, como eles pediram inicialmente, seria muito difícil. Íamos entregar uma contraproposta na quinta, mas eles ocuparam na quarta-feira", argumenta Costa.
Em assembleia também na noite desta sexta, os estudantes rejeitaram a proposta. Em nota pedem "que haja espaço de expressão na Rádio para os Movimentos Grevista, Docente, Estudantil, ocupante (com participação do Movimento Secundarista) e de Servidores, sem qualquer forma de controle ou censura."
A rádio saiu do ar já na quarta-feira e na tarde do mesmo dia o transmissor foi desligado. "Não sabemos porque a rádio saiu do ar, nós não estávamos no estúdio. Mas não podíamos permitir que permanecesse no ar sem a minha presença, sem técnicos e sem jornalistas, aí a reitora pediu para desligarmos o transmissor. Não é censura, mas é uma responsabilidade nossa o que vai ao ar", narrou Costa.
Aulas
O retorno às aulas na UEL foi definido, após servidores e professores da instituição deliberarem em assembleias pela suspensão da greve. A decisão foi tomada depois que o governo retirou o item 33 da emenda nº 43 da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que previa o cancelamento da data-base em janeiro e maio ao funcionalismo público.


