Curitiba- Quatro meses e meio depois do acidente com o navio chileno VicuÀa, em Paranaguá, a última parte submersa foi retirada ontem do local. O meio da embarcação foi içado na quarta-feira e ficou suspenso para esgotar toda a água. Ontem pela manhã foi removido para Pontal do Paraná, onde será desmanchado. Mergulhadores ainda vão rastrear o local para detectar eventuais partes menores que possam ter se espalhado com a explosão.
Os trabalhos de retirada do navio, que explodiu em 15 de novembro do ano passado, começaram no final de dezembro. A demora se deu porque ele precisou ser cortado em partes e porque poderia haver o risco de resquícios de óleo que contaminariam a água.
Ontem em Paranaguá aconteceu mais uma reunião da comissão criada para investigar o acidente. Foram discutidas a multa que as empresas envolvidas poderão ter que pagar pelos danos ambientais e a indenização aos pescadores.
''Nomeamos uma equipe, com membros de todas as empresas, para avaliarmos quais as principais ações e obras que precisam ser feitas para beneficar os pescadores da região. É melhor eles investirem na região do que ficar brigando por anos contra a multa do Ibama na Justiça'', afirmou o presidente da Comissão, o deputado estuadual Neivo Beraldin (PDT). ''Queremos uma solução imediata'', justificou.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o chefe do Ibama em Paranaguá, Lício Domit, que participou da reunião, para saber a posição do órgão em relação à troca da multa por benefícios aos pescadores, porém não conseguiu localizá-lo. No próximo dia 14 a CEI deve se reunir novamente para avaliar quais as obras que poderiam ser feitas. ''Devem ser investidos no mínimo US$ 5 milhões'', afirmou o deputado.
Beraldin informou que na próxima quinta-feira haverá audiência pública com as lideranças dos pescadores no Porto de Paranaguá a fim de oferecer os advogados da defensoria pública do Estado. ''São quase 4 mil processos, com muitas custas de cartório e honorários. Pelo menos os honorários é um dinheiro que deixa de ir para os pescadores'', afirmou o deputado.
O presidente da Federação das Colônias dos Pescadores, Edmir Ferreira, discorda. ''São todas ações de risco. Os pescadores não pagaram um centavo até agora e os advogados só vão receber os honorários se ganharmos a causa, como todo profissional'', afirmou. Ferreira disse que ainda não sabia da audiência pública e reclamou que não foi convidado para participar das reuniões da CEI.

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