Retirada de sem-teto acaba em violência
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A invasão dos sem-teto em um terreno da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) de Curitiba ontem acabou em violência. Os integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) invadiram a área da Prefeitura de Curitiba durante a madrugada e foram retirados a força pela Guarda Municipal pela manhã. Um guarda municipal e um líder do movimento ficaram feridos. O grupo já havia invadido, por engano, um terreno em frente ao da Prefeitura na madrugada de domingo. O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou ontem a instauração de um inquérito policial e uma investigação sobre a conduta da Guarda Municipal durante a desocupação.
De acordo com integrantes do sem-teto, a Guarda Municipal já chegou ao local agindo agressivamente, atirando, destruindo e colocando fogo nas barracas das famílias. Na confusão o guarda municipal José Luiz Dalavila sofreu traumatismo craniano e um dos líderes do movimento, Anselmo Schwertner, sofreu escoriações no rosto e fraturou o maxilar. Outros guardas e integrantes do MNLM sofreram ferimentos leves. O pessoal da Cohab tinha nos informado que iriam até o local pela manhã para negociarmos. Mas apareceu a guarda, nos arrancando de lá. Estávamos dispostos, inclusive, a conversar e sair pacificamente. Mas nem tivemos tempo, relatou o coordenador estadual do MNLM, Adauto de Araújo.
A Prefeitura de Curitiba desmente a versão dos sem-teto. O coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Sanderson Diotalevi, disse que os guardas foram até o local amparados por um Interdito Proibitório concedido pelo Judiciário do Estado do Paraná à Prefeitura de Curitiba. Esse documento garante ao município impedir ou retirar invasores de área pública a qualquer momento que ocorra o fato. Os guardas convidaram as famílias a se retirarem, mas eles se armaram com paus, pedras, facas e afirmaram que não iriam sair. Por isso, a guarda municipal usou de força necessária para contenção dos agressores, afirmou rebatendo as acusações dos sem-teto. O coronel nega que os guardas tenham disparado tiros contra o grupo.
A coordenadora nacional do MNLM, Edymar Citra, diz que o movimento vai entrar na Justiça contra a Prefeitura de Curitiba. Já estamos acionando também entidades de direitos humanos, pois o que a Guarda Municipal fez foi uma atrocidade, ameaçou. Todos os feridos durante a confusão passam bem. Schwertner foi operado, mas já está se recuperando.
As famílias estão mais uma vez sem destino. Os sem-teto estão novamente alojados no Sindicato dos Petroleiros (Sindipetros), em Curitiba. Ainda não há previsão de um novo destino. Edymar afirmou que muitas pessoas perderam todos seus pertences, que foram queimados pela guarda.


