Retirada de camelôs de Santana teve confusão e dois detidos
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 24 (AE) - A Prefeitura de São Paulo fez hoje uma operação de retirada de camelôs na região de Santana, zona norte da cidade. Comandada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Administração Regional de Santana-Tucuruvi, ela começou de madrugada e durou toda a manhã. Segundo a GCM, foram apreendidas 160 barracas. Os ambulantes afirmaram ter sido mais de 600. Dois camelôs foram detidos pela manhã e liberados em seguida.
A retirada começou à 0h. Cerca de 120 guardas civis e 10 agentes vistores da regional começaram a apreensão nas imediações da Estação Santana do Metrô e na Rua Voluntários da Pátria. No meio da madrugada houve um princípio de tumulto quando alguns camelôs - que não queriam entregar suas mercadorias - entraram em confronto com os guardas civis, perto da estação do metrô. Algumas barracas foram queimadas.
A ambulante Solange Macedo, que vende bijuterias em frente à estação Santana, disse que seu filho, Adriano, foi agredido pelos guardas civis. O inspetor da GCM Adhemar Delecródio, que comandou a operação, negou a agressão. "Nossa ordem era apenas dar apoio para a retirada das barracas", alegou.
Aviso - Pela manhã, o número de guardas civis subiu para 300. Eles ficaram divididos em vários grupos na Rua Voluntários da Pátria, Avenida Alfredo Pujol e Avenida Cruzeiro do Sul. Por volta das 9 horas os camelôs reuniram-se na esquina da Voluntários da Pátria e Leite de Moraes. A grande queixa era o fato de não terem sido avisados da apreensão. "Não houve um aviso para a retirada das barracas", reclamou o diretor do Sindicato dos Permissionários de São Paulo, José André Rodrigues.
Os camelôs também afirmaram que a regional de Santana quebrou um acordo feito há três meses. Pelo acordo, os ambulantes poderiam ficar nas ruas até uma solução definitiva para o comércio informal na região. São cerca de 1.500 ambilantes na região.
Prisão - Às 9h30 uma passeata de ambulantes saiu pela Voluntários da Pátria e percorreu algumas ruas da região. O comércio baixou as portas e o trânsito ficou complicado nas ruas próximas. O clima ficou tenso quando os guardas civis prenderam os ambulantes Clodoaldo dos Reis e José Teixeira. Os dois foram encaminhados para o 13º Distrito Policial (Casa Verde) e liberados em seguida.
Após a manifestação, houve nova concentração na Rua Leite de Moraes. Uma comissão foi formada para tentar uma reunião com o secretário das Administrações Regionais, Naor Guelfi. Uma nova manifestação está programada para as 18 horas.
O administrador regional de Santana, Antonio Attencia Neto, negou que houvesse um acordo entre a regional e os camelôs. Segundo ele, toda a operação foi comandada pela GCM, até mesmo o aviso aos ambulantes. "Fui convocado para uma reunião hoje apenas para dar o apoio técnico necessário", disse o regional. A assessoria de imprensa da GCM informou que quem deveria avisar os ambulantes da operação era a regional.


