Retirada da nafta é adiada outra vez
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terça-feira, 23 de outubro de 2001
Israel Reinstein<br> De Curitiba 
Salvo imprevisto de última hora, a retirada de quase 21 milhões de litros de nafta - que estão nos porões do navio encalhado Norma - pode acontecer amanhã. Outra vez a empresa holandesa Smitt Americas Inc., contratada pela Petrobras, adiou a retirada por falta de segurança.
A data foi divulgada, mas pode ser alterada segundo as condições de segurança. De acordo com responsáveis pelo transbordo da nafta - derivado de petróleo altamente inflamável - o esvaziamento do navio deverá durar até cinco dias.
Ontem, a nova data foi apresentada pela Smitt à Defesa Civil e aos órgãos ambientais - Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Pelo plano de contigência, toda a nafta deverá ser transferida para o navio cargueiro Nara, da Petrobras.
Para realizar essa operação, os órgãos envolvidos deverão realizar hoje os preparativos do transbordo. Para evitar o rompimento do casco durante a retirada do produto, os tanques do navio serão carregados com água, à medida que a nafta for sendo retirada. Quando a ação for terminada, a água será retirada por pressurização, devolvendo ao navio encalhado às condições de flutuabilidade e navegabilidade.
O navio Norma será isolado num raio de 600 metros e quatro fragatas dos bombeiros vão acompanhar a operação. Equipes também estarão dispostas nas ilhas e no continente. Aproximadamente 400 profissionais estarão envolvidos no trabalho. Durante a operação, o movimento do porto será interrompido.
Ontem, 45 navios estavam aguardando para serem carregados. Desse total, 15 navios estavam atracados, sendo 12 no cais comercial, dois no píer de inflamáveis, um no píer de fertilizantes e os demais na entrada da Baía de Paranaguá. Desde quinta-feira, quando ocorreu o vazamento, o porto deixou de arrecadar R$ 2 milhões. A passagem está sendo feita de um navio por vez.
Quem também está perdendo dinheiro é a categoria de pescadores. Ontem, começou o trabalho de distribuição de 1,3 mil cestas básicas para as 600 famílias de pescadores da Baía de Paranaguá. No entanto, a Federação dos Pescadores do Paraná quer entrar com uma ação contra a Petrobras, para que a empresa indenize os trabalhadores pelos dias parados.


