Retirada da amígdala está mais restrita
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quem está na casa dos 40, 50 anos, deve lembrar bem da cirurgia para retirada das amígdalas, indicada ao menor sinal de infecção e dor de garganta. Mas, e hoje, será que a melhor opção ainda é retirar o órgão?
Segundo a otorrinolaringologista Ana Maria Ciola, de Londrina, apesar de ainda ser a operação mais realizada em crianças, os critérios para a indicação cirúrgica mudaram e ficaram mais restritos. Por isso, se bem indicada, a cirurgia pode trazer mais qualidade de vida.
A cirurgia de amígdala, segundo a médica, é feita quando elas estão muito grandes (hipertrofiadas), podendo atrapalhar a respiração, quando há infecções de repetição (mais de cinco por ano), ou quando há suspeita de tumor. Outro motivo pode ser uma halitose intensa, causada por uma substância produzida na amígdala. ''Mas essa é uma indicação relativa, em que o paciente decide ou não pela cirurgia'', informa a médica.
Ela explica que quando a amígdala está aumentada, o que ocorre geralmente com o crescimento também da adenóide, outro tecido linfóide, só que localizado na parte posterior do nariz, a respiração nasal é prejudicada. E a criança passa a respirar pela boca. Esse crescimento, segundo a médica, ocorre nos períodos de infecção, que como são de repetição, não deixam a amígdala voltar ao tamanho normal. Já a adenóide, cuja cirurgia pode ser associada com a da amígdala, pode estar aumentada por causa de processos alérgicos, por uso de chupeta, ou mesmo por ser uma característica familiar.
Com a respiração bucal, a criança passa a roncar quando dorme, e pode apresentar um cansaço excessivo, por conta do esforço em respirar. Mas o principal problema é a apnéia, pequenas paradas respiratórias durante o sono por causa da região da garganta ''fechada''. ''Isso pode causar falta de oxigenação adequada no cérebro'', alerta o pediatra Álvaro Luiz de Oliveira, de Londrina.
Além disso, a respiração bucal ainda pode causar outros problemas, como sono agitado, dificuldade para dormir, dificuldade para praticar atividades físicas, fala anasalada e falta de tônus muscular na região da face, prejudicando a fala.
''É uma criança que pode ter o crescimento afetado, já que não consegue se alimentar direito, pela dificuldade de coordenar a alimentação e a respiração'', informa o médico. Ele alerta ainda que a deformidade da arcada dentária nestes casos pode ser maior que a causada pela chupeta.
Como a amígdala e a adenóide se comunicam internamente com a tuba auditiva, outro problema comum são as frequentes otites (inflamação no ouvido), que podem causar prejuízo para a audição.
Um dos tratamentos alternativos usado nos casos de infecções de repetição, segundo a médica, é a homeopatia. ''Que nem sempre resolve. Mas é interessante tentar, já que, apesar de simples, a cirurgia envolve anestesia geral, e no caso de adultos o pós-operatório é bem dolorido'', diz.
A indicação cirúrgica, segundo os especialistas, vem da observação da qualidade da respiração da criança. ''Não existe uma idade ideal para fazer a cirurgia. A gente procura fazer quando a criança já tem mais de três ou quatro anos, porque antes disso há risco do problema reincidir. Mas isso depende do grau de obstrução respiratória'', avalia o pediatra. ''Normalmente não há efeito colateral, o que se percebe é uma melhora da qualidade de vida'', afirma Ana Maria.


