A procura pela testagem da Covid-19 em farmácias e drogarias de Londrina atingiu um novo pico em dezembro, aponta um levantamento solicitado pela reportagem à Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) e confirmado por uma rede que vem realizando a testagem desde o início da pandemia. O motivo seria a combinação entre o medo causado pelo aumento no número de casos nas últimas semanas e a preocupação de muitos moradores com a transmissão do vírus para amigos e familiares durante as celebrações de Natal e Ano-Novo.

Imagem ilustrativa da imagem Reta final do ano registra aumento na procura por testes de Covid-19
| Foto: Gustavo Carneiro

É o que avaliou a coordenadora do serviço clínico-farmacêutico de uma rede de farmácias que tem seis unidades em Londrina, Aline Colonhezi. De acordo com ela, o mês de dezembro já registra a venda de 2.122 testes rápidos nas seis unidades. Enquanto isso, novembro registrou 794. “Tivemos um pico, uma média de 1.200 nos meses de julho, agosto e setembro e uma queda para 535. Agora há um crescimento a partir de outubro até dezembro”, afirmou.

Questionada se a alta na demanda fez o preço dos exames subir, a coordenadora explicou que o preço dos exames se manteve estável, o que já não pode ser dito sobre o preço dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). "No início, o preço era extremamente alto, chegamos a pagar R$ 14 em uma máscara. Com o decorrer do tempo, grandes empresas começaram a entrar na distribuição de testes e o preço reduziu. Neste mês, estamos com essa dificuldade de novo e o preço dos EPIs voltou a aumentar, mas dos testes não. Quando vou computar o preço de custo dos testes, também preciso incluir o preços dos EPIs usados pelos profissionais, pois é uma doença contagiosa”, lembrou.

Entre o início da pandemia e o dia 20 de dezembro, 82 farmácias e drogarias do Paraná ligadas a redes associadas à Abrafarma já haviam realizado 133.604 testes rápidos. A taxa de positividade encontrada foi de 15,88%, ou seja, um pouco acima da média nacional no mesmo período, que foi de 15,13%, informou a entidade. Só para se ter uma ideia, dos mais de 133 mil exames, 33,4 mil foram realizados entre a última semana de novembro e a penúltima do mês que acaba nesta quinta-feira (31).

“Acredito que depois das eleições tivemos um crescimento no número de casos, não tão significativo, mas tivemos. Tivemos dois feriadões com muitos clientes que viajaram para o litoral e acabaram retornando com o vírus. E em dezembro são dois fatores: as saídas, encontros e confraternizações e o cuidado com familiares e pessoas idosos. Há os dois lados da moeda, os que já estão contaminados e os que estão se cuidando”, avaliou Colonhezi.

Foi para passar a virada do ano com mais tranquilidade em casa, ao lado da esposa, da filha e da neta, que o advogado Plínio Rodrigues, 73, decidiu fazer um teste rápido. Ele contou que não estava sentindo nenhum sintoma típico da Covid-19. Mesmo assim, optou pela prevenção ao passar pelo local, na tarde desta quarta-feira. Poucos minutos depois veio a boa notícia. “Negativo”, aliviou-se.

Diferentemente dos exames “padrão ouro”, realizados com amostras de secreção nasal e analisados em laboratório, os testes rápidos (exame sorológico) utilizam uma gota de sangue. Enquanto o teste RT-PCR irá buscar na amostra o material genético idêntico ao vírus Sars-CoV-2, um aparelho utilizado nas farmácias irá buscar pelos anticorpos do vírus, o que deve indicar que o paciente está ou já foi contaminado. A partir de uma investigação sorológica sobre a presença de dois tipos de imunoglobulinas no sangue (IgM e IgG), é possível inferir há quanto tempo o paciente foi infectado. O período recomendado para a realização destes testes é a partir do décimo dia após o surgimento dos sintomas.

Entretanto, a procura por testes RT-PCR também apresentou crescimento nas últimas semanas em todo o País. Segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), laboratórios representados pela associação e que analisam 60% dos exames de Covid-19 na rede particular registraram crescimento de 35% na demanda. O período analisado foi entre os dias 25 de novembro e 25 de dezembro.

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