Brasília, 20 (AE) - O ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, disse hoje que o crédito de custeio no valor de R$ 3 milhões para o atendimento de 22 assentamentos e dois acampamentos não será liberado na próxima segunda-feira. Jungmann afirmou que o crédito reivindicado pelos agricultores rurais já existe e está na conta do Banco do Brasil, mas só será liberado quando forem atendidas as exigências técnicas.
"Há de existir grande disposição de atender a pauta, o crédito está lá há dias mas é preciso observar os requisitos técnicos", afirmou. "Eles (os assentados) não têm como obter dinheiro público sem isto." De acordo com o governo, os assentados têm que apresentar dois projetos vinculados, um de custeio e outro de investimento do plantio.
Segundo Jungamnn, a decisão de sair da fazenda foi uma "vitória do bom senso" e que o governo está disposto até mesmo a enviar diretores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), hoje a Buritis (MG) para discutir a pauta de reivindicações, cujo principal item é a liberação de crédito.
No início da tarde, o ministro ainda não tinha conhecimento de qualquer reivindicação dos trabalhadores rurais para sair do acampamento. "A informação que recebi de assessores é de que eles decidiram sair", disse.
Ele afirmou que não cederia qualquer meio de transporte, como foi pedido pelos sem-terra. "Cada um arque com seus atos; da mesma forma que eles assumiram a responsabilidade para ir lá, devem resolver de que forma vão sair."
Jungmann mandou um recado para os manifestantes. "Doravante o governo será bem mais enfático com relação a este tipo de provocação; é ver para crer", disse, sem entrar em detalhes. Ele fez questão de ressaltar que seu ministério continua "sendo do diálogo e da negociação". "Instituições como a Presidência não podem ser ameaçadas, isto é um limite."
Na opinião do ministro, o MST está isolado, pois não havia nenhum deputado do PT ou de outro partido de oposição. "O MST ficou absolutamente só e o episódio (da ameaça da fazenda) agrava a relação do movimento com a opinião pública", avaliou. "Nunca vi a CNBB se posicionar desta forma contra um ato dos sem-terra", disse, referindo-se à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que condenou o acampamento na porta da fazenda do presidente.
O ministro disse também que será mantido o inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar as responsabilidades no saque ao caminhão que saía da fazenda, promovido pelos sem-terra na última quinta-feira. "Vamos identificar e punir; queremos de volta a carga e a punição de quem cometeu o crime", disse.

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