A segunda parte do estudo, ainda em curso, é em laboratório. A ideia, neste caso, é avaliar o comportamento de células de câncer de mama frente à betaglucana.

A nutricionista Clísia Mara Carreira, coordenadora da pesquisa, explica que em um mesmo frasco são adicionadas as células cancerígenas, a betaglucana (''a mesma que foi encapsulada'') e o quimioterápico (''o mesmo usado em pacientes''). A primeira resposta que se buscava era se a betaglucana poderia atrapalhar a ação do medicamento.

''A betaglucana não é citotóxica como o tratamento, mas quando juntei os dois, ela potencializou a morte das células cancerígenas, aumentando o número de células mortas, o que nos deu a primeira resposta: a betaglucana não atrapalha a ação do quimioterápico''.

Outra ação da betaglucana mostrada em laboratório, aponta a pesquisadora, foi o aumento do número de caspases, substância que induz a morte celular e uma das formas do quimioterápico agir. ''Estamos estudando ainda como isso funciona. A ação positiva foi mostrada in vitro, mas já dá para falar que é interessante usar a substância como coadjuvante do tratamento'', avalia. O estudo será apresentado no Congresso Internacional de Nutrigenômica, que acontece no Guarujá (SP), em setembro.

Essa e outras pesquisas que vão estudar o efeito da betaglucana a longo prazo ''trazem mais segurança para usar alimentos funcionais no tratamento oncológico''. Uma das formas de ingerir a betaglucana é consumindo 30 gramas de farelo de aveia diariamente. Entre os benefícios já estudados da substância está a melhora da função gastrointestinal, favorecendo uma menor absorção de gorduras e açúcar. (C.P.)

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