Resultados de programa de combate à violência demoram, segundo BID
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 29 (AE) - "A violência é uma questão que se resolve a longo prazo", disse hoje o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglésias, no seminário Programas Municipais de Prevenção à Violência, promovido em conjunto com a Prefeitura do Rio. Esse é o caso do próprio BID, que investe no combate à violência há quatro anos, em programas diretos (nas áreas social, jurídica e policial) e indiretos (programas educacionais e urbanos), mas os resultados ainda não começaram a aparecer.
Segundo pesquisa do próprio banco, em países como a Colômbia e El Salvador são gastos quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) com este item. No Brasil as despesas do combate à violência chegam a 10,5%. Mas em cidades como Rio e São Paulo, os gastos seriam próximos dos da Colômbia e de El Salvador.
Encontro - Iglésias disse não saber o montante investido no combate à violência nestes quatro anos. "São programas variados e, muitos deles, como o Favela Bairro, do Rio, têm resultados indiretos." O seminário reuniu representantes de 36 prefeituras de cidades latino-americanas, 24 deles prefeitos, além de dois especialistas americanos, o ex-diretor de Polícia de San Diego, na Califórnia, Kenneth Forther, e o diretor do Centro de Investigação e prevenção da Violência da Universidade de Columbia, Jeffrey Fagan.
Pela manhã, após a palestra de abertura com o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), e de Iglésias, os dois especialistas contaram suas experiências bem sucedidas na área. Fagan disse que no combate à violência é necessário ir direto ao foco, pois ela contamina as regiões vizinhas. Nos últimos dez anos o programa que ficou conhecido como Tolerância Zero reduziu drasticamente os índices de criminalidade em Nova York.
Desemprego- O desemprego é uma das causas mais importantes- mas não a única- especialmente quando atinge os jovens, principais atores e vítimas da violência, disse Fagan. "Em Nova York, por exemplo, as comunidades afro e latina são as mais afetadas pela violência e, apesar o desemprego ter atingido as menores taxas nos Estados Unidos, esses números são bem menos alentadores nestas comunidades". Segundo Fagan, nem por isso a criminalidade deixou de diminuir.
Iglésias deixou claro que o combate à violência deve começar na área municipal, por isso o BID promoveu o seminário, para que prefeitos ou seus representanntes trocassem experiências. Hoje à tarde os prefeitos visitaram o Projeto Favela-Bairro, da Prefeitura, financiado pelo BID e um de seus modelos para o combate indireto à violência.


