São Paulo, 14 (AE) - O promotor Igor Ferreira da Silva ficou surpreso com o resultado do exame de DNA feito pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Instituto de Ciências Criminalísticas. Ele não quis falar a respeito, deixando isso para seu advogado, o jurista Márcio Thomaz Bastos. Em nota oficial, o advogado afirmou que ninguém mais do que seu cliente ficou surpreso com o resultado negativo do exame de vínculo genético a que se submeteu.
De acordo com Bastos, se o promotor tivesse a menor dúvida que fosse a respeito de sua paternidade "é evidente que jamais requereria o teste, que não havia sido pedido pelo Ministério Público."
O advogado adiantou na nota que o laudo de paternidade será examinado e analisado, como os outros laudos, "com a devida técnica, de modo a verificar a validade de seus requisitos formais e materiais, incluindo os procedimentos de controle de qualidade."
O resultado do exame chegou ao conhecimento do promotor na sexta-feira. Silva reuniu-se com o pai e os dois irmãos, todos advogados, e traçaram,hoje pela manhã, a sequência da defesa no escritório de Bastos, na Avenida Liberdade, a poucos metros do Fórum João Mendes, no centro da cidade.
Os pais de Patrícia Aggio Longo não quiseram falar. Estão abalados com o resultado do exame de DNA. Eduardo Longo, irmão de Patrícia, explicou que a família por enquanto não vai manifestar-se. "Estamos acompanhando e falaremos no momento oportuno."
O procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, que processou o promotor e por duas vezes solicitou à Justiça a decretação da prisão de Silva, também não quis falar. Espera receber o laudo oficial para depois manifestar-se.
Colorido - A procuradora de Justiça Liliana Buff, que coordenou o trabalho de investigação no inquérito contra Silva, declarou hoje que nunca teve dúvidas quanto a autoria do assassinato de Patrícia. Para ela, para completar a apuração desenvolvida durante vários meses pela polícia faltava o "colorido" da motivação do crime, que apareceu com o resultado do DNA. "Esse exame é surpreendente, mas não sei se somente o DNA vai fechar totalmente a investigação." Ela acredita que dará "um enorme reforço" ao que foi feito.
Liliana, que foi indicada pelo procurador-geral da Justiça, acompanhou o trabalho da equipe especial do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Participou de todos os depoimentos e interrogatórios feitos nas dependências do Ministério da Justiça e no DHPP. Quando ocorreu a investigação na casa de Silva e do irmão Egen foi ela quem deu voz de prisão em flagrante ao promotor e ao irmão, por porte ilegal de arma.
Silva estava com uma arma automática, privativa das Forças Armadas e por algumas semanas, permaneceu preso no Regimento de Cavalaria da Polícia Militar. Depois de encerrada a apuração pelo Ministério Público e pelo DHPP, Liliana aposentou-se. Atualmente trabalha na assessoria da Secretaria da Segurança Pública. Adiantou que o assassinato de Patrícia é complexo e acredita que fatos novos deverão aparecer. "Para mim
o caso já estava fechado desde o instante em que conseguimos juntar as provas contra o promotor, que estão nos autos." Fez questão de dizer ter sido um trabalho conjunto do Ministério Público e da polícia, no qual tiveram muito cuidado para não cometer injustiças.

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