Resultado do rodízio divide opinião de paulistanos
São Paulo, 30 (AE) - Muitos paulistanos acostumaram-se à rotina imposta pelo rodízio municipal. Outros, mesmo tendo mudado seus hábitos, desaprovam a medida e acham que ela traz poucos benefícios ao trânsito. "No começo eu discordava, pois justamente no dia em que dava mais aulas não podia sair de carro para trabalhar", diz a professora Tatiana Nogueira Jacob, de 39 anos. "Agora já me adaptei."
Ela costuma usar ônibus nos dias em que o seu automóvel não pode circular. "A escola fica perto de casa e, por isso, não tenho problemas", afirma. Ela entende que a medida é válida
mas deveria vir acompanhada de melhorias no sistema de transporte coletivo. "Esta é a principal dificuldade das grandes capitais."
Como trabalha o dia todo nas ruas, o representante comercial Eduardo dos Santos Domingues, de 37 anos, teve de modificar a sua rotina por conta da restrição. Nem por isso ele condena a medida. "Acabo saindo mais tarde", explica. Para ele
o trânsito melhora nos períodos em que a proibição está em vigor. "Isso beneficia principalmente pessoas como eu, que têm de se deslocar muito pela cidade."
A recepcionista Irit Cudek, de 23 anos, também considera a medida positiva. Ela acredita que há uma diminuição considerável nos índices de congestionamento e sugere ampliar os horários do rodízio. "Deveria ser proibido circular o dia inteiro", reivindica, lembrando as normas do rodízio estadual.
Impostos - O economista Norberto Issak, de 43 anos, é taxativo. "Sou totalmente contra", afirma. "Pago impostos para o governo abrir mais ruas e estradas e aumentar a fiscalização de infrações como filas duplas."
Issak diz que comprou o seu carro para usar sete dias por semana, não seis. "Em uma cidade como São Paulo algumas distâncias são absurdas e, nesses casos, o transporte coletivo torna-se inviável."
Como não percebe redução nos congestionamentos, a engenheira Silvana Alexandre, de 38 anos, classifica o rodízio como ineficaz. "Acho que deveria ser suspenso", analisa. "Muitas pessoas acabam comprando outro veículo para fugir da fiscalização." Ela precisa do carro para ir ao trabalho e, por isso, tem de sair às 6 horas nos dias em que o seu automóvel está proibido de trafegar. "Volto só depois das 20 horas."
Melhorar o transporte coletivo é a solução para o trânsito de São Paulo na opinião do eletrotécnico Orlando Amaral
de 62 anos. "Sou contra tudo aquilo que obrigam alguém a fazer", diz. Com mais ônibus e metrô, segundo ele, as pessoas não precisariam dos carros para se locomover.





