Resultado do Enem expõe deficiência do ensino médio
Agência Estado
De Brasília
Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgados ontem pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, mostram que a maioria dos alunos das escolas públicas e privadas (56,6%) não é capaz de escrever um texto propondo a solução de um problema. Nesse tipo de redação, a média nacional foi de 3,92, numa escala de 0 a 10 pontos.
Quando escrevem sobre um tema específico, no caso do Enem Cidadania e Participação Social, o desempenho dos alunos é melhor: a média nacional foi 5,03 e apenas 30,9% do total de 315.960 alunos obtiveram conceito insuficiente. A escola não está ensinando a pensar, diz Maria Helena Guimarães Castro, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Nas 63 questões objetivas, a média nacional foi 5,19, sendo que o desempenho dos alunos da escola privada foi melhor em todas as categorias.
O Enem é uma prova optativa que avalia se os alunos que estão concluindo o ensino médio (antigo 2º grau) dominam diferentes linguagens (textos, gráficos, mapas), compreendem fenômenos, solucionam problemas, constroem argumentações consistentes e elaboram propostas de intervenção na realidade.
A performance dos alunos, classificada de insuficiente pelo Ministério da Educação (MEC) nas questões de redação, que exigem autonomia intelectual, é agravada pelo fato de a maioria (tanto da escola pública quanto da privada) fazer parte do que o ministério chama de elite do alunado. São alunos que fizeram a prova por opção, vivem nos Estados mais ricos da Federação (São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais), concluíram o ensino médio em três anos, sem repetir, pretendem fazer curso superior e são filhos de famílias com renda mínima de cinco salários.
Para o ministro da educação, Paulo Renato Souza, o resultado do Enem prova que a reforma do ensino médio é urgente. Para ele, esse ciclo precisa deixar de ser a ante-sala e ter autonomia. O currículo sempre foi pautado pelas exigências do vestibular, que requer mais esforço de memorização do que de raciocínio, completa.





